quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Singular


Minha irmã mais nova faz aniversário. Nossa caçula, a rapa de tacho. Ainda lembro da emoção que senti quando a vi pela primeira vez, na maternidade, com seus imensos olhos castanhos. Foi uma criança adorável, incomum, rara. E quando vi a menina do filme Pequena Miss Sunshine foi impossível não morrer de saudades da G. pequena! Difícil é ser especial nos dias de hoje, quando é imperativo se amalgamar a massa de ignóbeis. Minha irmã é singular e quando quiser viver todo o potencial para o qual veio preparada, ai, ai, ai...Parabéns, G.!A A, te ama!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Nas nuvens fofas


Ontem perdemos para as fofas nuvens o poeta Bartolomeu Campos Queirós. Quando em me formei em biologia, a professora que mais me inspirou ao longo da graduação, professora Marilene, presenteou a todos o formandos com o livro Minerações (fotos desta postagem) do poeta. O livro tenta aproximar o homem da natureza, sugerindo "afinações". É lindo, ainda mais com as ilustrações. Ele morreu jovem para os nossos dias, 67 anos. Pode ser egoísmo meu, mas poeta não podia morrer nunca! Deve ser por isso que o dia hoje seguiu tão cinzento e "choroso"....Do poeta, para quem ainda não conhece o estilo do autor:

"Há que se vicejar como fazem as florestas.
Unir-se em copas para aniversariar com sobra 
o esforço das raízes suportando tronco, galho, fruto e flor,
que tudo abraçam desinteressadamente.
Como as árvores há que se receber a gota do orvalho sem se molhar,
preservando o extrato da noite."
Bartolomeu Campos Queirós

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Gisele Bundchen e sustentabilidade

Será que eu estou vivendo em surto? Acabo de ler que Gisele Bundchen fará uma "palestra" no Fórum Mundial da Sustentabilidade sobre "preservação das florestas". No último ano foi ela quem mais apareceu nos anúncios em televisão e mídia impressa. Ou seja, a moça está a serviço do CONSUMO. Como ela pode falar sobre sustentabilidade incitando com sua imagem cheia de volúpia aos analfabrutos de plantão comprarem chinelos, sandálias, roupas, carros..... Ou eu não entendo nada de sustentabilidade, ou estou mesmo vivendo um estado psicótico de surto....Resta-nos esperar para ouvir a palestra da queridinha.

Mercadante e Tablet

Até o dia 25 de janeiro, sai um Ministro da Educação e entra outro. O que chega, Sr. Mercadante, entra dando sinais do tipo de ministério que vai fomentar. Distribuirá para cada aluno nas escolas públicas um tablet. Sr. Futuro Ministro da Educação, com que professor/educador o senhor conversou para definir esta ação? Nossas escolas têm muitas outras prioridades, e embora a ideia do menino carregando seu próprio tablet possa parecer  uma imagem de sucesso, a mim a imagem que fica é de dinheiro sendo perdido ralo abaixo. Para não ficar no papel daquela que critica mas nada tem a sugerir, reuni a seguir algumas propostas alternativas para o senhor, na minha opinião, empregar melhor o dinheiro. 

1. Lançar um edital para que as escolas apresentem projetos em que comprometam-se em levar os alunos a espaços outros, como museus, parques, fábricas, cinemas. As melhores propostas receberão um carro com capacidade para levar 16 pessoas e uma verba adicional para, eventualmente, pagar os bilhetes de entrada e ajuda com o combustível. 
2. Lançar um edital para que as escolas apresentem projetos para a realização de Sessões de Cinema no contraturno. Período: um ano. Filmes que serão visto: cerca de 50 filmes. As melhores propostas receberão telona e equipamento de vídeo e imagem para a realização das tais sessões na escola. 
3. Implementar e todas as escolas do país um jardim com espaço para pequenas apresentações, tipo mini-arena.
4. Formar equipes junto ás universidades para que circulem no país visitando as escolas e dando oficinas de tecnolgia: produção de vídeos, podcasts, animações com massa de modelar...
5. Instaurar um prêmio nacional que dê os professores vencedores 14º, 15º e 16º salários. Os professores devem apresentar relatos sobre sequências didáticas que fizeram a diferenças em suas salas de aula. Pode ser por região e, quem sabe pode haver um prêmio máximo, que deve ser uma viagem ao exterior.
6. Oferecer aos professores das escolas públicas cursos de idiomas, na própria escola, especialmente o inglês.
7. Promover mais concursos de redação para os alunos, por região e no território Nacional. 
8. Promover intercâmbio entre alunos e professores das escolas, por uma semana. Este é um projeto delicado, que a ideia não é comparar, mas sensibilizar para as diferenças. Um aluno da capital paulista poderia passar uma semana no Vale do Jequitinhonha.
9. Incluir para as escolas verba especial para organização de eventos: saraus, feiras, peças de teatro, desfiles de moda...
10. Instaurar um prêmio para diretores, destacando aspectos da gestão escolar articulada com as demandas das comunidades. 

Ainda dá tempo de fazer diferente!

PS: E ninguém comenta que o Sr. Mercadante vai deixar o Ministério da Ciência e Tecnologia para assumir o da Educação. Quem ficará com outro ministério? O Ministério da Educação dá mais prestígio...(entenda-se, tem mais dinheiro)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

sábado, 7 de janeiro de 2012

Em casa








Depois de sofrer sucessivas desterritorializações, fui obrigada a deixar meus livros "órfãos" da minha pessoa na casa dos meus pais até que eu conseguisse um espaço para chamar de casa. Mas "órfã" estava eu longe deles, e só percebi esse desamparo hoje, ao recolocá-los em uma estante agora em minha casa. Conheço cada livro, cada rabisco, cada manchinha de comida, cada expressão nos rostos dos personagens. Estes livros foram meus amigos de infância, com suas histórias, lugares, personagens. Revê-los é como reencontrar amigos, os melhores amigos da infância. Pollyanna e Pollyanna Moça, na primeira foto, ganhei de dia das crianças da minha mãe. Minha irmã ganhou dois volumes do Sítio do Picapau Amarelo, que agora também descansam na minha estante. A segunda foto é de uma coleção que comprei com minha mesada aos nove anos, sem que meus pais soubessem. Recebi um encarte oferecendo os livros, preenchi e coloquei na caixa do correio. Minha mãe ficou louca quando o correio avisou que a Ana Paula tinha uma encomenda para buscar. Fiquei sem mesada por um bom tempo, mas pelo estado da coleção dá para perceber que eu passei horas maravilhosas com cada volume. As fotos que têm um cachorro amarelo são de um dos volumes da coleção, o volume Aventura. Esta história me levou ás lágrimas algumas vezes e ainda sinto uma dorzinha no peito quando vejo a lealdade do cão amarelo aos donos e seu fim triste triste! Não superei meu amor por cachorros amarelos até hoje. Mesmo que eu tenha mil cachorros amarelos será sempre este, o da história, que fará falta na minha vida. As duas últimas fotos mostram meu livro favorito, na verdade só sobrou este volume. Ele pertencia a coleção Mundo da Criança, que estava na casa dos meus pais de malas prontas para ser repatriada. Acontece que por acaso do destino, exatamente esta coleção ficou em uma caixa esquecida na chuva, e perdeu-se inteira, com exceção do volume fotografado. Por que eram meus livros favoritos? Olhem as ilustrações! Uma boa escola, na minha opinião, deveria deflagrar em seus pupilos o que esta coleção desencadeava na pessoinha que eu era: espanto, interesse sem medida, encantamento! Eram bichos, lugarejos, pessoas de hoje e de ontem...todas fantásticas....explicações de como as coisas funcionam, revelações sobre as mudanças ao longo da vida, poesias e histórias que me comoviam e me transportavam para lugares diferentes...Definitivamente a escola NUNCA me causou nada assim....Bom, meus livros "estão em casa", e eu me sinto de alguma maneira restaurada para o que um dia eu fui, bem antes de sofrer as desterritorializações...Ei, gente, a Ana Paula está de volta!
E você, tem algum objeto capaz de transformar sua existência dessa maneira?

PS1: Tudo de bom a todos os leitores do blog neste ano que começa! Coragem a todos nós, mais para as durezas do dia a dia do que para os atos de bravura...Para estes temos os bombeiros com suas fardas escarlates!

domingo, 20 de novembro de 2011

Declaração de amor (feitio português)

"AMO-TE mais que mousse de chocolate. AMO-TE mais que caracóis e caracoletas assadas. AMO-TE mais que choco frito. AMO-TE mais que churros e farturas. AMO-TE mais que puré de batata. AMO-TE mais que sardinhas assadas. AMO-TE mais que açorda de marisco (feita pelo Carlos). AMO-TE mais que os pastéis fritos da casa da chinoca na Leopoldino de Oliveira. AMO-TE mais que polvo à lagareiro. AMO-TE mais que perú recheado. AMO-TE mais que bacalhau assado na brasa. AMO-TE mais que castanhas assadas (ou mesmo cozidas!). AMO-TE mais que qualquer prato da lanchonete BH em São Paulo. AMO-TE mais que a Livraria Cultura do Conjunto Nacional. AMO-TE mais que o Museu da Lingua Portuguesa. AMO-TE mais que bolo-rei.

Vê lá tu a loucura de amor que sinto por ti: AMO-TE mais que o Mitsubishi Pajero!"


sábado, 19 de novembro de 2011

Diálogo impertinente I

Resolvemos comprar canivetes para os sobrinhos, os que já têm algum bom senso para não sair espetando por aí. Há de todo tipo e preço, com cabos high tech ou estilo antigamente. Eu ainda em dúvida se era mesmo o presente ideal. Paramos em uma loja de candomblé, que vendia velas, fitinhas e canivetes. O vendedor tinha a aparência daqueles personagens de flime de zumbis, aquele que é procurado pela mocinha e a ensina tudo sobre vodu. Pois ele tirou da vitrine um canivete e apontando uma argola de aço na ferramenta disse:"Aqui, se precisar fazer alguém falar, dá para arrancar um dedo." Disse isso com uma expressão daquelas que não sabemos se fala seriamente ou se brinca. E eu respondi: "Não temos a intenção de arrancar o dedo de ninguém." E ele: "Nunca se sabe". Isso tudo olhos nos olhos, bem próximos, desafiantes. Enquanto meu marido continuava a explorar a navalhinha. E eu; "Acontece que com a gente, tem mais gente querendo nos fazer falar do que queremos saber da vida dos outros. Quem ia perder o dedo....". Ele sorriu com gosto, e não levamos o canivete.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Era uma vez um envelope roxo....



Meu sobrinho recebeu a primeira carta da sua vida, enviada por mim. Não há nada mais lindo no mundo que a carinha dele curtindo a tal cartinha! Minha irmã (mãe do pequeno) e eu, preparamos a curiosidade dele sobre a missiva. Todo dia eu perguntava para ele: "A carta da titia chegou?", isso quando eu ainda nem sequer a havia postado! Mas hoje*, enfim, antes dele ir para a escola, o envelope roxo chegou...Só pôde abrir depois de terminar o almoço (minha irmã é uma monstra!-ele raspou o prato!). Depois pelo telefone comentou todos os meus desenhos e disse que o coração que eu desenhei com ele dentro ficou "aberto" (viva a escola, jeito certo e errado de desenhar um coração!!!). E eu expliquei: "Não querido, é que o coração da tia tem uma portinha, só fica dentro quem quiser ficar! **". Combinaram minha irmã e ele que irão responder a carta, mas ele queria ir ao correio e me reenviar a minha! E depois foi para escola feliz da vida, com a carta guardada na merendeira....
* A carta chegou depois de 20 dias! Quem quiser saber mais veja aqui. 
** Minha irmã-carrasca disse que é para eu botar gente que não presta pra fora...ai, ai....

Cadeia para minha irmã!

Minha irmã encontrou o Papai Noel no salão, clareando a barba para o Natal. Dá para acreditar? Pode haver algo mais nocauteante que essa imagem? Alguém aí queria saber da intimidade do Papai Noel? Mas está tudo esclarecido, este aí não é o "verdadeiro" Papai Noel, eu sou perita nesse assunto, por isso afirmo que este não é o legítimo. Minha irmã ficou uma fera quando eu disse isso. Daí eu perguntei, pois ainda não havia visto a foto: "Ok. Então me diga uma coisa, ele estava vestido de Papai Noel?". E ela:"Ai, você acha que o Papai Noel anda de Papai Noel o tempo todo?". E eu disse: "Claro! Você acha que o Papai Noel só tem uma roupa de Papai Noel!". Fim de papo....Quem será que ela irá encontrar da próxima vez que for arrumar as medeixas...O Batman fazendo as unhas? O Homem Aranha depilando o buço? 

domingo, 30 de outubro de 2011

sábado, 29 de outubro de 2011

O correio e sua eterna incompetência....

Quatro cartas enviadas ao mesmo tempo, de Brasília, três para Lisboa e uma para Belo Horizonte. As de Lisboa, chegaram, e a de Belo Horizonte...alguém sabe do paradeiro?

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Enfim, decidimos nosso meio de transporte aqui

Vamos pousar na praça da igreja, e vamos morar em uma quinta nos arredores da cidade...

Balanço das costuras, parte I


  • 1 saia manequim 34, que era para mim....
  • 1 saia com bolsos que minhas mãos não entram, pensei em ser bolso só para moedas e minha mãe sugeriu ter uma cordinha com um imã para eu regatar os trocados depois...ela é fofa, né? 
  • Duas almofadas redondas, inacabadas, como é difícil ponto reto em curva, meu Deus!Mas estas vão ficar lindas se eu conseguir terminar, vão ter apliques: um gato e dois corações!
  • Uma pimenta com cabinho de feltro, que meu marido perguntou se era para usarmos como apagador. 
  • Uma almofada enorme, quadrada....esta só falta o recheio! 


E aprendi a desmontar umas peças da máquina e remontar. Adorei conseguir!

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Para quem tem a alma em frangalhos


Minha máquina de costura e meus alfinetes..O ângulo não favoreceu minha queridinha, em outros posts capricho mais...Repararam como o verdinho dela combina com o novo fundo do blog?

sexta-feira, 29 de julho de 2011

segunda-feira, 25 de julho de 2011

sábado, 2 de julho de 2011

Do cantor Bruno Gouveia para o filho

PARTIDA


a morte de um filho

é uma gravidez às avessas

volta pra dentro da gente

para uma gestação eterna


aninha-se aos poucos

buscando um espaço

por isso dói o corpo

por isso, o cansaço


E como numa gestação ao contrário

a dor do parto é a da partida

de volta ao corpo pra acolhida

reviravolta na sua vida


E já começa te chutando, tirando o sono

mexendo os órgãos, lembrando o dono

que está presente, te bagunçando o pensamento

te vazando de lágrimas e disparando o coração,



A morte de um filho é essa gravidez ao contrário

mas com o tempo, vai desinchando

até se transformar numa semente de amor

e que nunca mais sairá de dentro de ti.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Procura-se

Lagartixa jovem que foi escurraçada por mim ontem um pouco antes do pé d'água desabar. Depois de seguidos sustos aqui e acolá dentro de casa, achei que era muita ousadia do pequeno réptil ir até o meu quarto, e ensinei o caminho da rua para a pequena. Como a porta da rua era mais próxima que a porta do quintal, a cutuquei na primeira direção. Em seguida o céu veio a baixo e meu coração ficou apertado, ao imaginar a branquela exposta na calçada e sem galochas e guarda-chuva! Correndo o risco de ser identificada pelos vizinhos como uma bruxa, abri a porta e fui procurar a lagartixa. E a vi assim, agarrada ao portão:a-pa-vo-ra-da! O olhar dela mudou com relação a minha pessoa, magoou-se com certeza! O que podia eu esperar, botei-a porta á fora! E foi a última vez que a vi. A chuva apertou e quando fui novamente checar o paradeiro da coisinha, ela havia sumido sem qualquer rastro! Por favor, quem tiver notícias dela, avise-me ou diga a ela que estou arrependida e a quero de volta a assustar-me dentro de casa! Diga que vou caprichar as varridas debaixo dos móveis, e que ela não vai mais sair cheia de pó agarrado ao seu corpinho como se fosse uma alegoria de carnaval. Volta, vem viver outra vez ao meu lado....
P. vem logo que estou a surtar! 

Era uma vez quatro potes...

Que viviam temorosos do seu destino!
"E quando acabar o capuccino que contemos, o que será de nós?"
"Ah! O lixo, meu amigos, com certeza!"
" Mo, Deus, são mais algumas colheres e me despeço de vocês..."
Mas, como a vida quase sempre sai diferente do que conseguimos imaginar, e por vezes se apresenta mui vezes melhor do que poderíamos esperar, os potes foram surpreendidos...
Terminado o capuccino que encerravam, foram lavados e depois de uns dias "nus" (sem mãos para esconder as bundicas!), ganharam roupitas lindas, e novos conteúdos: linhaça, passas, gergelim......

domingo, 14 de novembro de 2010

Criações


sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Sugestão nada imparcial de presente de Natal

Meu livro! Vendas antecipadas no link da editora: http://www.editoracrv.com.br/?f=produto_detalhes&pid=3115

E era mesmo o fim do mundo


Eu achei que fosse o fim do mundo, tão forte foi a chuva que caiu por aqui.
Mas voltei para casa e no aconchego do meu lar percebi que tudo estava bem...
Até que li na Internet que o Chalita será indicado para o Ministério da Educação!
Não sei se o mundo acabou, ou se seria melhor que tivesse acabado.
E o Mago, que Ministério vai assumir?

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Era uma vez um melão

Era uma vez um melão com crise de doçura e textura. Foi a amiga Mariana Manga que o salvo. "Cara, por que você não lê o livro de auto-ajuda que o Zé Pepino escreveu com a Ana Abacaxi? " Pois não é que a leitura o ensinou o que é marketing pessoal e o cara agora tá dando até palestra na geladeira?

domingo, 31 de outubro de 2010

O tempo e a colcha de chita que ficou pequena para a cama

A falta de tempo é o argumento mais comum para justificar ausências, prazos que precisam ser dilatados e até comprovação de "como sou ocupado"! Tenho pensado bastante nisso ultimamente, pois a demanda de trabalho, tarefas e compromissos tem sido gigantesca em minha vida, e olha que sempre foi bastante, mas agora esta descomunal! Para muitas pessoas, é isso mesmo a vida, e eu preciso me acostumar com esta realidade. Mas não sei se quero isso pra mim, este recorrente atropelo, em que os prejudicados são sempre os que eu amo e as atividades que me fazem feliz (como postar aqui, por exemplo!)! Falta-me tempo ou eu adminstro mal meu tempo? Falta-me tempo ou eu estou assumindo a forma de existir contemporânea, em que a pressa e o produto final são sempre mais importantes que os processos? Por hora, sigo tentando não me afogar, dando bradaçadas desajeitadas entre os compromissos, esquecendo um aqui e outro lá. Mas definitivamente não quero isso pra mim. É preciso cultivar a demora, a espera, os pontos de bordado, um seguido ao outro. Como é bom quando a gente espera (mesmo que a espera seja um suplício!) e pronto, chega o dia de ver a coisa pronta ou a se concretizar! Que emoção: sua história tem um capítulo finalizado, é hora de virar uma página. E digo isso assumindo que tenho problemas com ansiedade de ver a coisa pronta e acabada, por isso faço tanta bobagem na costura (quando tento costurar). Pulo etapas, não levo a sério os moldes, faço pontos grandes demais, a famosa linha de preguiçosa...A colcha de chita da imagem, foi feita por mim com a ajuda da minha mãe (mais ela do que eu), mas é um exemplo disso que estou falando. Juntar quadrados, alinhavar, tarefa menor, mas importantíssima, antes da costura vir. É o processo que conta, mais que o produto (que afinal precisará de mais fileiras de retalhos, pois a colcha ficou curta para a cama...). É isso, tempo de repensar o tempo e valorizar as tarefas que aparentemente consomem nosso tempo....Tipo vencer conteúdos, sacou?

sábado, 30 de outubro de 2010

Palavra da vez: liberdade


O que um professor poderia desejar de "maior" para seus alunos que serem livres? Sempre penso nisso quando estou a planejar minhas aulas, a escolher conteúdos e criar estratégias. Todas as escolhas relacionam-se a necessidade de ampliar o repertório da moçada para que possam eles mesmos escolher como querem ou não pôr em prática seu ofício de mestre. Ninguém pode escolher algo que nem sabe que existe, certo? Quanto menos coisas uma pessoa conhece (e isso é em qualquer área da vida) mais pobre será sua decisão, certo? Mas este post é para tentar entender por que jovens tendem a escolher modelos rotos de existir em suas vidas, mesmo quando têm a oportunidade de vivenciar ousadias? Por que esta inclinação a mesmice, ao tédio, ao que é previsível? Há um poema da Clarice Lispector que diz que "a liberdade ofende". E ofenderia porquê e a quem? A liberdade ofende a todos que não têm a coragem de serem protagonistas da sua própria história, ofenderia aqueles a quem a coragem não é uma virtude. Sobre coragem já falei aqui algumas centenas de vezes, pois é uma das qualidades que mais prezo. Mas parece que é papel de quem aceita a tarefa de formar um sujeito com potencialidade a felicidade ensinar a coragem. E como se ensina a coragem? Como devemos encorajar nossos alunos para que percorram altivos e destemidos percursos novos para educação? Como desconstruir anos e anos de confortável controle e limitação na sala de aula para algo mais criativo e fluido? No momento, preciso aprender a respeitar as escolhas dos meus alunos, e só. Mas estas questões ficarão a me perturbar com toda certeza. Missão: descobrir estratégias que a longo prazo ensinem a coragem. Alguém sabe como fazer isso? Também é assunto para educação de filhos! Se você é pai, sua atuação é mais centrada no encorajamento ou no medo? 
Cena do filme que amoooooooooooooooo Um sonho de liberdade. 

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Um rosário de piscadas...

É ou não é? Esta imagem foi colhida no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo.Não é recente. Ando sumida do Pastel, diluída na enxurrada de tarefas, emails e reuniões. A pergunta é, entre uma piscada e outra, como equacionar nosso tempo de maneira que estejamos mais horas envolvidos com aquilo que nos faz melhores do que com aquilo que nos obrigam a fazer?
O Pastel me faz melhor....Logo soluciono a equação! Aguardem-me!

sábado, 14 de agosto de 2010

Faça o teste (em quantos dos quesitos sugeridos você se encaixa?) e descubra se você é PROVINCIANO


Provinciano: estreiteza de espírito resultante da falta de contato com atividades culturais ou intelectuais; uma característica, modo de pensar, etc, próprios de uma província; palavra, expressão ou modo de pronunciar peculiar à uma província; devoção à própria província em detrimento da nação como um todo. 
pt.wiktionary.org/wiki/provincianismo


Se tem algo que eu abomino, são seres provincianos. Normalmente, este termo é usado amplamente e indistintamente aos nativos e residentes de cidades pequenas. Injustiça e ignorância! A tal "estreiteza de espírito"  veste confortavelmente muitas figuras da Avenida Paulista e acadêmicos de prestígio. O contato com as atividades intelectuais não se dá só na leitura dos livros, e nem garante que as pessoas alarguem seus horizontes. Não sei o que torna algumas pessoas tão cerradas à vida! Fiz uma lista de comportamentos que EU considero provincianos. Vejam.....

1. Considerar 40 anos de idade tempo limítrofe para a juventude. Tenho preguiça até de falar a respeito.Alguns vão dizer que estou "legislando em causa própria". Não, não, meus amigos próximos e verdadeiros sabem o que penso sobre idade. Mas com expectativa de vida próxima de 90 anos, ácidos, filtros solares e linhaça dando-nos aparência fresca, que tal tentar concentrar avaliações sobre juventude no campo de comportamentos que renovam? Você tem um comportamento capaz de gerar renovações? E aí, velhinho....
2. Preocupar-se demais com a ortografia nos lábios do alheio. Morte aos caçadores de gerúndio já! 
3. Só andar de carro. Pior, andar de carro e ficar segurando a chave, quando não está no volante, enquanto caminha....
4. Fazer uso apenas dos serviços oferecidos em seu bairro (provincianismo de bairro?). Já falei disso antes, tipo cortar o cabelo com o mesmo cara desde criança ou comer sempre o mesmo sanduba com a turma no mesmo lugar. É bom ter um profissional de confiança, e caso o encontre acho mesmo que deva ser cliente fiel. Aqui refiro-me aqueles seres que ficam no mesmo profissional até quando o cara é ruim. Eu já ouvi de um idiota (não no sentido do Dostoiévski): por que eu iria em outro bairro se tenho tudo aqui? Talvez para gastar as colorias que se concentram na sua cintura ou quem sabe ouvir de um outro barbeiro  que este bigode seu só se usava na década de 70....????? 
5. Aproveitar para falar mal da maioria supostamente inferior e principalmente "ausente", sempre que integra um grupo mais ou menos harmônico que constituiria uma minoria entendida como privilegiada. Como isso me irrita e como eu irrito o grupo quando não me comporto como eles gostariam. 
6. Ter uma vida inteira construída nos conformes do script social vigente sem ter sequer cogitado outros percursos existenciais. Não precisamos conversar com estas pessoas, já sabemos tudo dela, trama básica, só mudam os nomes dos personagens. 
7. Eleger certos alimentos como "comida de bicho", por exemplo, milho é menu de galinhas. Ai, ai...tédio absoluto sinto por este tipo de pessoa. Aliás, aqui poderíamos talvez desdobrar este item para a abrangência do cardápio das pessoas. Quanto mais restrito o repertório alimentar de uma pessoa, mais provinciana ela é. Respeito que tenhamos preferências, e que as privilegiemos no cotidiano, mas é preciso conhecer os sabores que alimentam os povos. 
8. Achar que pessoas sérias usam sapatos fechados.Pudor em exibir os pés fico pra trás no tempo. Faça as unhas, lixe o calcanhar, passe um creme hidratante e ventile os dedos se sentir vontade! Ou deixem que o façam, inclusive juízes! 
9. Relacionar-se mal com as variantes linguísticas das pessoas, rindo, comparando, criticando. Isso era para incrementar positivamente as relações, até que um dia um ser fraco e mau iniciou este comportamento perverso de destacar a diferença no jeito de falar de alguém e pronto, mau hábito provinciano que perdura. Deve ter sido nas cavernas, uga buga igui...hahahahahaha! 
10. Parecer-se demais com quem convive. Vocês já estiveram em grupo em que todas as pessoas usavam o mesmo estilo de sapato, apenas respeitando a diferença de gênero? Sei que conforto e gosto, cada um descobre e define a forma dos seus, mas fico sempre pensando será que todos têm o mesmo gosto? Só eu me sinto engraçada de sapato de bico fino? 
11. Achar vida virtual coisa de psicopata, gente feia e desinteressante ou pedófilo. 
12. Não entender poesia. Isso é uma espécie de doença, sem poesia a pessoa acostuma-se com a aridez. Já viram aquelas pessoas bem simples, que estudaram muitas vezes só até a quarta-série, mas não resistem a uma paineira florida? É dessa poesia que falo: do olhar, dos gestos, das falas espontâneas....

Pra começar tá bom, né? Quem concorda, quem discorda...solte a língua nos comentários! 

Foto Le petit parisien, Willy Ronnis, Paris/1952

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Por favor, dois bilhetes inteiros e um de estudante "Para baixo".


A vida pode ser simples, não pode? Por favor, dois bilhetes inteiros e um de estudante "Para baixo".
Foto "colhida" na Estação de trem desativada no lugarejo de Peirópolis. 

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Trabalhando com vozes. Estas são falas que expressam a voz de uma mãe. Quem aí consegue imaginar as falas com as vozes dos professores?



Menino
Fernando Sabino
Menino, venha pra dentro, olhe o sereno! Vá lavar essa mão. Já escovou os dentes? Tome a bênção a seu pai. Já pra cama! Onde é que aprendeu isso, menino? Coisa mais feia. Tome modos. Hoje você fica sem sobremesa. Onde é que você estava? Agora chega, menino, tenha santa paciência. De quem você gosta mais, do papai ou da mamãe? Isso, assim que eu gosto: menino educado, obediente. Está vendo? É só a gente falar. Desça daí, menino! Me prega cada susto… Pare com isso! Jogue isso fora. Uma boa surra dava jeito nisso. Que é que você andou arranjando? Quem lhe ensinou esses modos? Passe pra dentro. Isso não é gente para ficar andando com você. Avise a seu pai que o jantar está na mesa. Você prometeu, tem que cumprir. Que é que vai ser quando crescer? Não, chega: você já repetiu duas vezes. Por que você está quieto aí? Alguma você está tramando… Não ande descalço, já disse! Vá calçar o sapato. Já tomou o remédio? Tem que comer tudo: você acaba virando um palito. Quantas vezes já lhe disse para não mexer aqui? Esse barulho, menino! Seu pai está dormindo. Pare com essa correria dentro de casa, vá brincar lá fora. Você vai acabar caindo daí. Peça licença a seu pai primeiro. Isso é maneira de responder a sua irmã? Se não fizer , fica de castigo. Segure o garfo direito. Ponha a camisa pra dentro da calça. Fica perguntando, tudo você quer saber! Isso é conversa de gente grande. Depois eu dou. Depois eu deixo. Depois eu levo. Depois eu conto. Depois. Agora deixa seu pai descansar – ele está cansado, trabalhou o dia todo. Você precisa ser muito bonzinho com ele, meu filho. Ele gosta tanto de você. Tudo que ele faz é para seu bem. Olhe aí, vestiu essa roupa agorinha mesmo, já está toda suja. Fez seus deveres? Você vai chegar atrasado. Chora não, filhinho, mamãe está aqui com você. Nosso Senhor não vai deixar doer mais. Quando você for grande, você também vai poder. Já disse que não, e não, e não! Ah, é assim? Pois você vai ver quando seu pai chegar. Não fale de boca cheia. Junte a comida no meio do prato. Por causa disso é preciso gritar? Seja homem. Você ainda é muito pequeno para saber essas coisas. Mamãe tem muito orgulho de você. Cale essa boca! Você precisa cortar esse cabelo. Sorvete não pode, você está resfriado. Não sei como você tem coragem de fazer assim com sua mãe. Se você for comer agora, depois não janta. Assim você se machuca. Deixa de fita. Um menino desse tamanho, que é que os outros vão dizer? Você queria que fizessem o mesmo com você? Continua assim que eu lhe dou umas palmadas. Pensa que a gente tem dinheiro para jogar fora? Tome juízo, menino. Ganhou agora mesmo e já acabou de quebrar. Que é que você vai querer no dia de seus anos? Agora não, que eu tenho o que fazer. Não fique triste, não, depois mamãe dá outro. Você teve saudades de mim? Vou contar só mais uma, está na hora de dormir. Agora dorme, filhinho. Dê um beijo aqui – Papai do Céu lhe abençoe. Este menino, meu Deus.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Para isto vale nascer

Este texto eu tirei daqui. Chorei horrores com o desfecho. Dor na consciência. Servia também para o Jonas, o da bíblia.

Rodando
Adélia Prado

Depois de muita e boa chuva, Célia voltava de Belo Horizonte para sua casa no interior do Estado. Era bom viajar de ônibus, vendo, parecia-lhe que pela primeira vez, o verde rebrotando com força. Ouviu um passageiro falando pra ninguém: que cheiro de mato! Sol farto e os moradores desses conjuntos habitacionais de caixa de papelão e zinco, que brotam como grama à margem das rodovias, aproveitavam pra esquentar o couro rodeados de criança e cachorro. Os deserdados desfilavam, a moça e seu namorado com bota de imitação de peão boiadeiro iam de mãos dadas, com certeza à casa de uma tia da moça, comunicar que pretendiam se casar. Uma avó gorda com seu neto também passou, ela de sombrinha, ele de calcinha comprida de tergal. Iam aonde? Célia fantasiou, ah, com certeza na casa de uma comadre da avó, uma amiga dela de juventude. O menino ia sentir demais a morte daquela avó que lhe pegava na mão de um jeito que nem sua mãe fazia. Desceram três moços de bermuda e camisa do Clube Atlético Mineiro, e um quarto com grande inscrição na camiseta: SÓ CRISTO SALVA! Camiseta e bermuda não favorecem a ninguém, ela pensou desgostosa com a feiúra das roupas. Bermudas principalmente, teria que se ter menos de dez anos pra se usar aquela invenção horrorosa. Teve dó dos moços que só conheciam futebol e dupla sertaneja. Foi um pensamento soberbo, se arrependeu na hora. Tinha preconceitos, lembrou-se de que gostara muito de um jogo de futebol em Londrina, rodeada de palavrões e chup-chup com água de torneira e famílias inteiras se esturricando gozosamente entre pão com molho e adjetivos brutais, prodigiosamente colocados, lindos e surpreendentes como as melhores invenções da poesia. Concluiu sonolenta, o mundo está certo. Uma criança começou a chorar muito alto: quero ficar aqui não, quero sentar com meu pai, quero o meu pai. A mãe parecia muito agoniada e pelo tom do choro Célia achou que ela abafava a boca da criança com uma fralda ou a apertava raivosa contra o peito, envergonhada de ter filha chorona. Suposições. Tudo estava muito bom naquele dia, não sofria com nada, nem ao menos quis ajudar a mãe, botar a menina no colo, estas coisas em que era presta e mestra. Assistia ao mundo, rodava macio tudo, o ônibus, a vida, nem protagonista nem autora, era figurante, nem ao menos fazia o ponto naquele teatro perfeito, era só platéia. Aplaudia, gostando sinceramente de tudo. Contra céu azul e cheiro de mato verde Deus regia o planeta. Estava muito surpresa com a perfeita mecânica do mundo e muitíssimo agradecida por estar vivendo. Foi quando teve o pensamento de que tudo que nasce deve mesmo nascer sem empecilho, mesmo que os nascituros formem hordas e hordas de miseráveis e os governos não saibam mais o que fazer com os sem-teto, os sem-terra, os sem-dentes e as igrejas todas reunidas em concílio esgotem suas teologias sobre caridade discernida e não tenhamos mais tempo de atender à porta a multidão de pedintes. Ainda assim, a vida é maior, o direito de nascer e morar num caixote à beira da estrada. Porque um dia, e pode ser um único dia em sua vida, um deserdado daqueles sai de seu buraco à noite e se maravilha. Chama seu compadre de infortúnio: vem cá, homem, repara se já viu o céu mais estrelado e mais bonito que este! Para isto vale nascer.

Esta maravilha de texto é o primeiro publicado pelo Releituras em 2002.  Feliz Ano Novo para todos. (Extraído do livro "Filandras", Editora Record - Rio de Janeiro, 2001, pág. 119.)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Papercutting


Beleza.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Conversas espantosas


Conversa com minha amiga Rozane pela internet, enquanto pesquisava coisinhas para minha casa nova:
Eu: Puxa, como são caros os tapetes!
Rozane: Os normais ou os voadores?
Eu: Voadores?! Eu nem pensei em comprar um! Onde vende?
Rozane: Nas grandes lojas de departamento, na seção de objetos mágicos, perto das vassouras voadoras...
Eu: Mas se os normais são caros assim, imagine os voadores!

sábado, 17 de julho de 2010

sexta-feira, 16 de julho de 2010

domingo, 11 de julho de 2010

Nada pode ser mais bonito que uma pessoa sendo ela mesma!


O goleiro espanhol sendo entrevistado por sua esposa, jornalista de uma emissora de televisão, logo após a conquista da copa. Que falar do jogo o que! Dá cá um beijo!

Que um dia todos possamos ser nós mesmos sempre e em qualquer circunstância!

sábado, 10 de julho de 2010

E se você fosse montar um museu sobre você mesmo? Que objetos encontraríamos na exposição?


Certa vez, tive acesso como aluna da universidade aos objetos que integrariam uma exposição sobre a educadora Helena Antipof. Havia uma fotografia do quarto dela, com a caminha toda arrumada, os livros absolutamente em ordem na estante, uma cadeira sem roupas no encosto...Pensei: ai, caramba, vai que morro e fotografam meu quarto naquela bagunça! Achei uma invasão terrível, ver as coisinhas dela ali, as especulações sobre  não ter se casado. Imaginem o que diriam sobre mim se vissem meu quarto! Depois deste episódio, sempre que meu quarto chega no limite do que seria civilizado, lembro da Helena e seu quartinho singelo exposto daquela maneira e procuro não adiar muito a arrumação. Mas mais do que deixar vestígios da minha história "maquiados", fico também a pensar sobre os objetos que poderiam compor um museu sobre a minha pessoa. Calma lá, este não é um exercício narcísico, é mais um esforço de auto-conhecimento, ou quem sabe, uma forma de cuidar hoje de quem desejo ser no futuro. Então, se fosse organizado hoje uma exposição sobre mim, que objetos seriam narradores da minha história? 
- O avental com meu nome bordado da primeira escola que frequentei
- Os livros do Manoel de Barros que ele me mandou autografados pelo correio
- Minha pequena coleção de lenços coloridos
- Alguns dos brinquedos coloridos que produzi para a televisão, como o caleidoscópio gigante...
- Minha reglete e punsão, da época que dava aulas para os alunos cegos
- Algumas das minhas sandálias de verão, minhas preferidas, àquelas que deixam o meu pé o mais exposto possível
- Uma pequena amostra com minhas maquiagens favoritas
- Os lindos vidros dos meus perfumes favoritos
- Minha cesta de costura
- Meus apetrechos de pintura
- A medalha que me foi ofertada de Fátima
- Meus vestidos coloridos 
- Todas as marcas de filtro solar que usei ao longo da vida
- Fotografias: com meus pais, com minhas irmãs, com algumas das minhas amigas, com todos os meus cachorros, com minha avó, do tempo que estive em Lisboa, do tempo que trabalhei na rádio
- Trechos de filmes que amo...
- Escutas individuais para as pessoas ouvirem minhas músicas prediletas...
- Minha sanfona!!!!!!!!!!!!!!!!!!
- Trechos dos meus poemas preferidos....

Agora vou pensar em uma instalação....Afinal, meu museu é "muderno"!

Vou pensar ações educativas também para receber os visitantes!

E você, que objetos estariam em uma exposição sobre sua pessoa?