segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Procura-se

Lagartixa jovem que foi escurraçada por mim ontem um pouco antes do pé d'água desabar. Depois de seguidos sustos aqui e acolá dentro de casa, achei que era muita ousadia do pequeno réptil ir até o meu quarto, e ensinei o caminho da rua para a pequena. Como a porta da rua era mais próxima que a porta do quintal, a cutuquei na primeira direção. Em seguida o céu veio a baixo e meu coração ficou apertado, ao imaginar a branquela exposta na calçada e sem galochas e guarda-chuva! Correndo o risco de ser identificada pelos vizinhos como uma bruxa, abri a porta e fui procurar a lagartixa. E a vi assim, agarrada ao portão:a-pa-vo-ra-da! O olhar dela mudou com relação a minha pessoa, magoou-se com certeza! O que podia eu esperar, botei-a porta á fora! E foi a última vez que a vi. A chuva apertou e quando fui novamente checar o paradeiro da coisinha, ela havia sumido sem qualquer rastro! Por favor, quem tiver notícias dela, avise-me ou diga a ela que estou arrependida e a quero de volta a assustar-me dentro de casa! Diga que vou caprichar as varridas debaixo dos móveis, e que ela não vai mais sair cheia de pó agarrado ao seu corpinho como se fosse uma alegoria de carnaval. Volta, vem viver outra vez ao meu lado....
P. vem logo que estou a surtar! 

Era uma vez quatro potes...

Que viviam temorosos do seu destino!
"E quando acabar o capuccino que contemos, o que será de nós?"
"Ah! O lixo, meu amigos, com certeza!"
" Mo, Deus, são mais algumas colheres e me despeço de vocês..."
Mas, como a vida quase sempre sai diferente do que conseguimos imaginar, e por vezes se apresenta mui vezes melhor do que poderíamos esperar, os potes foram surpreendidos...
Terminado o capuccino que encerravam, foram lavados e depois de uns dias "nus" (sem mãos para esconder as bundicas!), ganharam roupitas lindas, e novos conteúdos: linhaça, passas, gergelim......

domingo, 14 de novembro de 2010

Criações


sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Sugestão nada imparcial de presente de Natal

Meu livro! Vendas antecipadas no link da editora: http://www.editoracrv.com.br/?f=produto_detalhes&pid=3115

E era mesmo o fim do mundo


Eu achei que fosse o fim do mundo, tão forte foi a chuva que caiu por aqui.
Mas voltei para casa e no aconchego do meu lar percebi que tudo estava bem...
Até que li na Internet que o Chalita será indicado para o Ministério da Educação!
Não sei se o mundo acabou, ou se seria melhor que tivesse acabado.
E o Mago, que Ministério vai assumir?

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Era uma vez um melão

Era uma vez um melão com crise de doçura e textura. Foi a amiga Mariana Manga que o salvo. "Cara, por que você não lê o livro de auto-ajuda que o Zé Pepino escreveu com a Ana Abacaxi? " Pois não é que a leitura o ensinou o que é marketing pessoal e o cara agora tá dando até palestra na geladeira?

domingo, 31 de outubro de 2010

O tempo e a colcha de chita que ficou pequena para a cama

A falta de tempo é o argumento mais comum para justificar ausências, prazos que precisam ser dilatados e até comprovação de "como sou ocupado"! Tenho pensado bastante nisso ultimamente, pois a demanda de trabalho, tarefas e compromissos tem sido gigantesca em minha vida, e olha que sempre foi bastante, mas agora esta descomunal! Para muitas pessoas, é isso mesmo a vida, e eu preciso me acostumar com esta realidade. Mas não sei se quero isso pra mim, este recorrente atropelo, em que os prejudicados são sempre os que eu amo e as atividades que me fazem feliz (como postar aqui, por exemplo!)! Falta-me tempo ou eu adminstro mal meu tempo? Falta-me tempo ou eu estou assumindo a forma de existir contemporânea, em que a pressa e o produto final são sempre mais importantes que os processos? Por hora, sigo tentando não me afogar, dando bradaçadas desajeitadas entre os compromissos, esquecendo um aqui e outro lá. Mas definitivamente não quero isso pra mim. É preciso cultivar a demora, a espera, os pontos de bordado, um seguido ao outro. Como é bom quando a gente espera (mesmo que a espera seja um suplício!) e pronto, chega o dia de ver a coisa pronta ou a se concretizar! Que emoção: sua história tem um capítulo finalizado, é hora de virar uma página. E digo isso assumindo que tenho problemas com ansiedade de ver a coisa pronta e acabada, por isso faço tanta bobagem na costura (quando tento costurar). Pulo etapas, não levo a sério os moldes, faço pontos grandes demais, a famosa linha de preguiçosa...A colcha de chita da imagem, foi feita por mim com a ajuda da minha mãe (mais ela do que eu), mas é um exemplo disso que estou falando. Juntar quadrados, alinhavar, tarefa menor, mas importantíssima, antes da costura vir. É o processo que conta, mais que o produto (que afinal precisará de mais fileiras de retalhos, pois a colcha ficou curta para a cama...). É isso, tempo de repensar o tempo e valorizar as tarefas que aparentemente consomem nosso tempo....Tipo vencer conteúdos, sacou?

sábado, 30 de outubro de 2010

Palavra da vez: liberdade


O que um professor poderia desejar de "maior" para seus alunos que serem livres? Sempre penso nisso quando estou a planejar minhas aulas, a escolher conteúdos e criar estratégias. Todas as escolhas relacionam-se a necessidade de ampliar o repertório da moçada para que possam eles mesmos escolher como querem ou não pôr em prática seu ofício de mestre. Ninguém pode escolher algo que nem sabe que existe, certo? Quanto menos coisas uma pessoa conhece (e isso é em qualquer área da vida) mais pobre será sua decisão, certo? Mas este post é para tentar entender por que jovens tendem a escolher modelos rotos de existir em suas vidas, mesmo quando têm a oportunidade de vivenciar ousadias? Por que esta inclinação a mesmice, ao tédio, ao que é previsível? Há um poema da Clarice Lispector que diz que "a liberdade ofende". E ofenderia porquê e a quem? A liberdade ofende a todos que não têm a coragem de serem protagonistas da sua própria história, ofenderia aqueles a quem a coragem não é uma virtude. Sobre coragem já falei aqui algumas centenas de vezes, pois é uma das qualidades que mais prezo. Mas parece que é papel de quem aceita a tarefa de formar um sujeito com potencialidade a felicidade ensinar a coragem. E como se ensina a coragem? Como devemos encorajar nossos alunos para que percorram altivos e destemidos percursos novos para educação? Como desconstruir anos e anos de confortável controle e limitação na sala de aula para algo mais criativo e fluido? No momento, preciso aprender a respeitar as escolhas dos meus alunos, e só. Mas estas questões ficarão a me perturbar com toda certeza. Missão: descobrir estratégias que a longo prazo ensinem a coragem. Alguém sabe como fazer isso? Também é assunto para educação de filhos! Se você é pai, sua atuação é mais centrada no encorajamento ou no medo? 
Cena do filme que amoooooooooooooooo Um sonho de liberdade. 

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Um rosário de piscadas...

É ou não é? Esta imagem foi colhida no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo.Não é recente. Ando sumida do Pastel, diluída na enxurrada de tarefas, emails e reuniões. A pergunta é, entre uma piscada e outra, como equacionar nosso tempo de maneira que estejamos mais horas envolvidos com aquilo que nos faz melhores do que com aquilo que nos obrigam a fazer?
O Pastel me faz melhor....Logo soluciono a equação! Aguardem-me!

sábado, 14 de agosto de 2010

Faça o teste (em quantos dos quesitos sugeridos você se encaixa?) e descubra se você é PROVINCIANO


Provinciano: estreiteza de espírito resultante da falta de contato com atividades culturais ou intelectuais; uma característica, modo de pensar, etc, próprios de uma província; palavra, expressão ou modo de pronunciar peculiar à uma província; devoção à própria província em detrimento da nação como um todo. 
pt.wiktionary.org/wiki/provincianismo


Se tem algo que eu abomino, são seres provincianos. Normalmente, este termo é usado amplamente e indistintamente aos nativos e residentes de cidades pequenas. Injustiça e ignorância! A tal "estreiteza de espírito"  veste confortavelmente muitas figuras da Avenida Paulista e acadêmicos de prestígio. O contato com as atividades intelectuais não se dá só na leitura dos livros, e nem garante que as pessoas alarguem seus horizontes. Não sei o que torna algumas pessoas tão cerradas à vida! Fiz uma lista de comportamentos que EU considero provincianos. Vejam.....

1. Considerar 40 anos de idade tempo limítrofe para a juventude. Tenho preguiça até de falar a respeito.Alguns vão dizer que estou "legislando em causa própria". Não, não, meus amigos próximos e verdadeiros sabem o que penso sobre idade. Mas com expectativa de vida próxima de 90 anos, ácidos, filtros solares e linhaça dando-nos aparência fresca, que tal tentar concentrar avaliações sobre juventude no campo de comportamentos que renovam? Você tem um comportamento capaz de gerar renovações? E aí, velhinho....
2. Preocupar-se demais com a ortografia nos lábios do alheio. Morte aos caçadores de gerúndio já! 
3. Só andar de carro. Pior, andar de carro e ficar segurando a chave, quando não está no volante, enquanto caminha....
4. Fazer uso apenas dos serviços oferecidos em seu bairro (provincianismo de bairro?). Já falei disso antes, tipo cortar o cabelo com o mesmo cara desde criança ou comer sempre o mesmo sanduba com a turma no mesmo lugar. É bom ter um profissional de confiança, e caso o encontre acho mesmo que deva ser cliente fiel. Aqui refiro-me aqueles seres que ficam no mesmo profissional até quando o cara é ruim. Eu já ouvi de um idiota (não no sentido do Dostoiévski): por que eu iria em outro bairro se tenho tudo aqui? Talvez para gastar as colorias que se concentram na sua cintura ou quem sabe ouvir de um outro barbeiro  que este bigode seu só se usava na década de 70....????? 
5. Aproveitar para falar mal da maioria supostamente inferior e principalmente "ausente", sempre que integra um grupo mais ou menos harmônico que constituiria uma minoria entendida como privilegiada. Como isso me irrita e como eu irrito o grupo quando não me comporto como eles gostariam. 
6. Ter uma vida inteira construída nos conformes do script social vigente sem ter sequer cogitado outros percursos existenciais. Não precisamos conversar com estas pessoas, já sabemos tudo dela, trama básica, só mudam os nomes dos personagens. 
7. Eleger certos alimentos como "comida de bicho", por exemplo, milho é menu de galinhas. Ai, ai...tédio absoluto sinto por este tipo de pessoa. Aliás, aqui poderíamos talvez desdobrar este item para a abrangência do cardápio das pessoas. Quanto mais restrito o repertório alimentar de uma pessoa, mais provinciana ela é. Respeito que tenhamos preferências, e que as privilegiemos no cotidiano, mas é preciso conhecer os sabores que alimentam os povos. 
8. Achar que pessoas sérias usam sapatos fechados.Pudor em exibir os pés fico pra trás no tempo. Faça as unhas, lixe o calcanhar, passe um creme hidratante e ventile os dedos se sentir vontade! Ou deixem que o façam, inclusive juízes! 
9. Relacionar-se mal com as variantes linguísticas das pessoas, rindo, comparando, criticando. Isso era para incrementar positivamente as relações, até que um dia um ser fraco e mau iniciou este comportamento perverso de destacar a diferença no jeito de falar de alguém e pronto, mau hábito provinciano que perdura. Deve ter sido nas cavernas, uga buga igui...hahahahahaha! 
10. Parecer-se demais com quem convive. Vocês já estiveram em grupo em que todas as pessoas usavam o mesmo estilo de sapato, apenas respeitando a diferença de gênero? Sei que conforto e gosto, cada um descobre e define a forma dos seus, mas fico sempre pensando será que todos têm o mesmo gosto? Só eu me sinto engraçada de sapato de bico fino? 
11. Achar vida virtual coisa de psicopata, gente feia e desinteressante ou pedófilo. 
12. Não entender poesia. Isso é uma espécie de doença, sem poesia a pessoa acostuma-se com a aridez. Já viram aquelas pessoas bem simples, que estudaram muitas vezes só até a quarta-série, mas não resistem a uma paineira florida? É dessa poesia que falo: do olhar, dos gestos, das falas espontâneas....

Pra começar tá bom, né? Quem concorda, quem discorda...solte a língua nos comentários! 

Foto Le petit parisien, Willy Ronnis, Paris/1952

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Por favor, dois bilhetes inteiros e um de estudante "Para baixo".


A vida pode ser simples, não pode? Por favor, dois bilhetes inteiros e um de estudante "Para baixo".
Foto "colhida" na Estação de trem desativada no lugarejo de Peirópolis. 

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Trabalhando com vozes. Estas são falas que expressam a voz de uma mãe. Quem aí consegue imaginar as falas com as vozes dos professores?



Menino
Fernando Sabino
Menino, venha pra dentro, olhe o sereno! Vá lavar essa mão. Já escovou os dentes? Tome a bênção a seu pai. Já pra cama! Onde é que aprendeu isso, menino? Coisa mais feia. Tome modos. Hoje você fica sem sobremesa. Onde é que você estava? Agora chega, menino, tenha santa paciência. De quem você gosta mais, do papai ou da mamãe? Isso, assim que eu gosto: menino educado, obediente. Está vendo? É só a gente falar. Desça daí, menino! Me prega cada susto… Pare com isso! Jogue isso fora. Uma boa surra dava jeito nisso. Que é que você andou arranjando? Quem lhe ensinou esses modos? Passe pra dentro. Isso não é gente para ficar andando com você. Avise a seu pai que o jantar está na mesa. Você prometeu, tem que cumprir. Que é que vai ser quando crescer? Não, chega: você já repetiu duas vezes. Por que você está quieto aí? Alguma você está tramando… Não ande descalço, já disse! Vá calçar o sapato. Já tomou o remédio? Tem que comer tudo: você acaba virando um palito. Quantas vezes já lhe disse para não mexer aqui? Esse barulho, menino! Seu pai está dormindo. Pare com essa correria dentro de casa, vá brincar lá fora. Você vai acabar caindo daí. Peça licença a seu pai primeiro. Isso é maneira de responder a sua irmã? Se não fizer , fica de castigo. Segure o garfo direito. Ponha a camisa pra dentro da calça. Fica perguntando, tudo você quer saber! Isso é conversa de gente grande. Depois eu dou. Depois eu deixo. Depois eu levo. Depois eu conto. Depois. Agora deixa seu pai descansar – ele está cansado, trabalhou o dia todo. Você precisa ser muito bonzinho com ele, meu filho. Ele gosta tanto de você. Tudo que ele faz é para seu bem. Olhe aí, vestiu essa roupa agorinha mesmo, já está toda suja. Fez seus deveres? Você vai chegar atrasado. Chora não, filhinho, mamãe está aqui com você. Nosso Senhor não vai deixar doer mais. Quando você for grande, você também vai poder. Já disse que não, e não, e não! Ah, é assim? Pois você vai ver quando seu pai chegar. Não fale de boca cheia. Junte a comida no meio do prato. Por causa disso é preciso gritar? Seja homem. Você ainda é muito pequeno para saber essas coisas. Mamãe tem muito orgulho de você. Cale essa boca! Você precisa cortar esse cabelo. Sorvete não pode, você está resfriado. Não sei como você tem coragem de fazer assim com sua mãe. Se você for comer agora, depois não janta. Assim você se machuca. Deixa de fita. Um menino desse tamanho, que é que os outros vão dizer? Você queria que fizessem o mesmo com você? Continua assim que eu lhe dou umas palmadas. Pensa que a gente tem dinheiro para jogar fora? Tome juízo, menino. Ganhou agora mesmo e já acabou de quebrar. Que é que você vai querer no dia de seus anos? Agora não, que eu tenho o que fazer. Não fique triste, não, depois mamãe dá outro. Você teve saudades de mim? Vou contar só mais uma, está na hora de dormir. Agora dorme, filhinho. Dê um beijo aqui – Papai do Céu lhe abençoe. Este menino, meu Deus.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Para isto vale nascer

Este texto eu tirei daqui. Chorei horrores com o desfecho. Dor na consciência. Servia também para o Jonas, o da bíblia.

Rodando
Adélia Prado

Depois de muita e boa chuva, Célia voltava de Belo Horizonte para sua casa no interior do Estado. Era bom viajar de ônibus, vendo, parecia-lhe que pela primeira vez, o verde rebrotando com força. Ouviu um passageiro falando pra ninguém: que cheiro de mato! Sol farto e os moradores desses conjuntos habitacionais de caixa de papelão e zinco, que brotam como grama à margem das rodovias, aproveitavam pra esquentar o couro rodeados de criança e cachorro. Os deserdados desfilavam, a moça e seu namorado com bota de imitação de peão boiadeiro iam de mãos dadas, com certeza à casa de uma tia da moça, comunicar que pretendiam se casar. Uma avó gorda com seu neto também passou, ela de sombrinha, ele de calcinha comprida de tergal. Iam aonde? Célia fantasiou, ah, com certeza na casa de uma comadre da avó, uma amiga dela de juventude. O menino ia sentir demais a morte daquela avó que lhe pegava na mão de um jeito que nem sua mãe fazia. Desceram três moços de bermuda e camisa do Clube Atlético Mineiro, e um quarto com grande inscrição na camiseta: SÓ CRISTO SALVA! Camiseta e bermuda não favorecem a ninguém, ela pensou desgostosa com a feiúra das roupas. Bermudas principalmente, teria que se ter menos de dez anos pra se usar aquela invenção horrorosa. Teve dó dos moços que só conheciam futebol e dupla sertaneja. Foi um pensamento soberbo, se arrependeu na hora. Tinha preconceitos, lembrou-se de que gostara muito de um jogo de futebol em Londrina, rodeada de palavrões e chup-chup com água de torneira e famílias inteiras se esturricando gozosamente entre pão com molho e adjetivos brutais, prodigiosamente colocados, lindos e surpreendentes como as melhores invenções da poesia. Concluiu sonolenta, o mundo está certo. Uma criança começou a chorar muito alto: quero ficar aqui não, quero sentar com meu pai, quero o meu pai. A mãe parecia muito agoniada e pelo tom do choro Célia achou que ela abafava a boca da criança com uma fralda ou a apertava raivosa contra o peito, envergonhada de ter filha chorona. Suposições. Tudo estava muito bom naquele dia, não sofria com nada, nem ao menos quis ajudar a mãe, botar a menina no colo, estas coisas em que era presta e mestra. Assistia ao mundo, rodava macio tudo, o ônibus, a vida, nem protagonista nem autora, era figurante, nem ao menos fazia o ponto naquele teatro perfeito, era só platéia. Aplaudia, gostando sinceramente de tudo. Contra céu azul e cheiro de mato verde Deus regia o planeta. Estava muito surpresa com a perfeita mecânica do mundo e muitíssimo agradecida por estar vivendo. Foi quando teve o pensamento de que tudo que nasce deve mesmo nascer sem empecilho, mesmo que os nascituros formem hordas e hordas de miseráveis e os governos não saibam mais o que fazer com os sem-teto, os sem-terra, os sem-dentes e as igrejas todas reunidas em concílio esgotem suas teologias sobre caridade discernida e não tenhamos mais tempo de atender à porta a multidão de pedintes. Ainda assim, a vida é maior, o direito de nascer e morar num caixote à beira da estrada. Porque um dia, e pode ser um único dia em sua vida, um deserdado daqueles sai de seu buraco à noite e se maravilha. Chama seu compadre de infortúnio: vem cá, homem, repara se já viu o céu mais estrelado e mais bonito que este! Para isto vale nascer.

Esta maravilha de texto é o primeiro publicado pelo Releituras em 2002.  Feliz Ano Novo para todos. (Extraído do livro "Filandras", Editora Record - Rio de Janeiro, 2001, pág. 119.)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Papercutting


Beleza.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Conversas espantosas


Conversa com minha amiga Rozane pela internet, enquanto pesquisava coisinhas para minha casa nova:
Eu: Puxa, como são caros os tapetes!
Rozane: Os normais ou os voadores?
Eu: Voadores?! Eu nem pensei em comprar um! Onde vende?
Rozane: Nas grandes lojas de departamento, na seção de objetos mágicos, perto das vassouras voadoras...
Eu: Mas se os normais são caros assim, imagine os voadores!

sábado, 17 de julho de 2010

sexta-feira, 16 de julho de 2010

domingo, 11 de julho de 2010

Nada pode ser mais bonito que uma pessoa sendo ela mesma!


O goleiro espanhol sendo entrevistado por sua esposa, jornalista de uma emissora de televisão, logo após a conquista da copa. Que falar do jogo o que! Dá cá um beijo!

Que um dia todos possamos ser nós mesmos sempre e em qualquer circunstância!

sábado, 10 de julho de 2010

E se você fosse montar um museu sobre você mesmo? Que objetos encontraríamos na exposição?


Certa vez, tive acesso como aluna da universidade aos objetos que integrariam uma exposição sobre a educadora Helena Antipof. Havia uma fotografia do quarto dela, com a caminha toda arrumada, os livros absolutamente em ordem na estante, uma cadeira sem roupas no encosto...Pensei: ai, caramba, vai que morro e fotografam meu quarto naquela bagunça! Achei uma invasão terrível, ver as coisinhas dela ali, as especulações sobre  não ter se casado. Imaginem o que diriam sobre mim se vissem meu quarto! Depois deste episódio, sempre que meu quarto chega no limite do que seria civilizado, lembro da Helena e seu quartinho singelo exposto daquela maneira e procuro não adiar muito a arrumação. Mas mais do que deixar vestígios da minha história "maquiados", fico também a pensar sobre os objetos que poderiam compor um museu sobre a minha pessoa. Calma lá, este não é um exercício narcísico, é mais um esforço de auto-conhecimento, ou quem sabe, uma forma de cuidar hoje de quem desejo ser no futuro. Então, se fosse organizado hoje uma exposição sobre mim, que objetos seriam narradores da minha história? 
- O avental com meu nome bordado da primeira escola que frequentei
- Os livros do Manoel de Barros que ele me mandou autografados pelo correio
- Minha pequena coleção de lenços coloridos
- Alguns dos brinquedos coloridos que produzi para a televisão, como o caleidoscópio gigante...
- Minha reglete e punsão, da época que dava aulas para os alunos cegos
- Algumas das minhas sandálias de verão, minhas preferidas, àquelas que deixam o meu pé o mais exposto possível
- Uma pequena amostra com minhas maquiagens favoritas
- Os lindos vidros dos meus perfumes favoritos
- Minha cesta de costura
- Meus apetrechos de pintura
- A medalha que me foi ofertada de Fátima
- Meus vestidos coloridos 
- Todas as marcas de filtro solar que usei ao longo da vida
- Fotografias: com meus pais, com minhas irmãs, com algumas das minhas amigas, com todos os meus cachorros, com minha avó, do tempo que estive em Lisboa, do tempo que trabalhei na rádio
- Trechos de filmes que amo...
- Escutas individuais para as pessoas ouvirem minhas músicas prediletas...
- Minha sanfona!!!!!!!!!!!!!!!!!!
- Trechos dos meus poemas preferidos....

Agora vou pensar em uma instalação....Afinal, meu museu é "muderno"!

Vou pensar ações educativas também para receber os visitantes!

E você, que objetos estariam em uma exposição sobre sua pessoa? 


quinta-feira, 8 de julho de 2010

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Tem um recadinho pra você no banheiro

Se você quer entender mais sobre análise do discurso sugiro a leitura de um trabalho interessante sobre "recados de banheiro". Sabe aquelas bobagens que algumas criaturas escrevem nas portas dos banheiros públicos? Teve um grupo que fez uma primeira e breve análise desses escritos. Eu me diverti lendo e ainda ao procurar uma imagem para esta postagem encontrei uma coleção virtual de fotografias de recados rabiscados em portas de banheiro. Escrever nas portas dos banheiros é uma manifestação universal, pelo menos foi o que pude constatar em muitos banheiros públicos pelo mundo. Em Veneza ou no Tietê, há sempre alguém que se sente impelido a se expressar...Alguém tem uma explicação? Se você já escreveu na porta de um banheiro, me conta. Ou quem sabe você faz parte do grupo que só responde às provocações...

domingo, 4 de julho de 2010

Tô cansada de ser boazinha.....

Tenho refletido sobre os 300 visitantes/mês que este blog recebe. Li que um blog de conteúdo adulto pode receber 15.000 visitantes/mês. Como pesquisadora de emoções e interesse da audiência sinto-me constrangida! Mas pensei, pensei, pensei...Este blog tá por demais politicamente correto, falta sangue nas veias, é quase um texto de autoria da Sandy! Acho que vou começar a dizer o que penso, sem medir tanto as palavras e as consequências...Que venha a cavalaria, se alguém ficar perturbado, estou pronta pra guerra! Não vai escapar ninguém, ninguém, ninguém! E sim, eu odeio a escola e acho que os professores merecem o que têm de salário. E os carteiros, é isso mesmo, os carteiros e os correios são uma vergonha nacional! 

sábado, 3 de julho de 2010

Aqui só entra quem sabe dançar forró

Meu namoro com as cidades é antigo. Sempre estive atenta para ver qual seria o lugar que ia me arrebatar o coração. Quando fui para Lisboa, antes mesmo de ir, declarei aqui que seria uma viagem-namoro. Foi mais do que isso, caí de amores! Mas, para além das rugas que insistem em aparecer na minha pele, a idade também me trouxe algumas sabedorias. O melhor lugar para viver é onde estão as pessoas que a gente ama. No meu caso, isso não ajuda muito, porque tenho amores espalhados por todo o planeta. Mas continua sendo um indicador: minha cidade será aquela em que constituirei uma família amorosa. Sempre me surpreende como muitas pessoas nunca se questionam sobre o permanecer na cidade em que vivem. Pode perguntar, gente, é saudável! Haveria lugar no mundo em que eu seria mais feliz? Para saber onde você deverá morar é preciso saber onde mora sua felicidade. Se você é um tipo terno-escuro-avenida-paulista sua felicidade não morará em Mossoró. Como na simpática propaganda do supermercado Pão de Açúcar: "o que faz você feliz?" (e que na edição atual transmutou-se para "o que faz você feliz faz também alguém feliz?"). Pois é preciso pensar nas cidades e nas existências que estas cidades nos proporcionam. E muito cuidado, uma cidade é limpeza, índices de violência, mercado de trabalho, boas escolas....Mas é também o conjunto de pessoas que nela moram. Isso eu já entendi, não é a cidade que faz uma pessoa, são as pessoas que fazem a cidade. Ninguém deixa de dizer "bom dia" porque a cidade grande o forçou a ser individualista, não-não, essa pessoa só estava a espera de terreno fecundo para florescer na sua falta de cortesia. Pois todas essas reflexões tem a ver com este momento da minha vida, em que tudo indica que colocarei enfim um capacho na porta escrito "aqui só entra quem sabe dançar forró". Espero que logo eu tenha notícias dessa mudança e das descobertas boas que farei nessa cidade escolhida para ser cenário da minha vida. Deixo como dica um site sobre a cidade ideal para se viver (do ponto de vista de cada visitante!). Você pode avaliar de forma comparativa as cidades que gostaria de experimentar. Veja lá e depois nos conte! 

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Um romance, um tapete....

Adoro quando sou apresentada a algo absolutamente novo para mim, algo que eu nem sequer imaginava existir. Especialmente se for um projeto de beleza como esse que esbarrei, enquanto procurava na internet tapetes. Um tapete romance, para contar histórias! O Costurando Histórias tem um site e um blog. O grupo tem cerca de 20 anos de existência, e muitas histórias para contar, para além das histórias nos tapetes...Lindo, lindo....

terça-feira, 29 de junho de 2010

E o que faz você renascer?


Noite de São Pedro, o santo padroeiro dos pescadores. Mas não houve festa na praça, nem quentão, nem pamonha. Em compensação, e foi por isso que fomos à praça nesta noite fria, na Avenida da Praia o grupo Galpão se apresentou. Novamente vi Till, e sua saga como herói torto. O Galpão e sua capacidade mágica de fazer-me renascer. Se pensarmos no número de vezes que somos assassinados diariamente (como no poema do Quintana, "da vez primeira que me assassinaram"), é uma benção haver maneiras de nascer novamente. Hoje o público era bem mais discreto que o da Praça do Papa. Mas como em Belo Horizonte, a lua cheia fazia troça em cenário inesperado com a lua gigante do placo. Duas luas não são beleza demais para um coração? Sentei-me com minha mãe na terceira fileira, e podia ter sentado na primeira, mas tive medo de ser levada ao palco como Dona Pureza. Vai que eu não queria mais ser professora depois dessa experiência! De tão perto foi possível ver o bumbum do ator, trocar olhares com o “diabo” que esteve a encantar todas as mulheres com seus chifrinhos psicodélicos. Vou ficar com a música por dias nos ouvidos..Noite linda, estrelada, fria, vendo aquela belezura...E eu sendo revestida internamente de toda essa poesia, munindo-me dela, guardando punhados generosos no olhar. Eu sou grata ao Galpão, que vive de fazer estas traquinagens para nossos corações sempre ameaçados de sertão. Hoje a vida conspirou ao meu favor, lindo de morrer. Vou jogar na megasena. Renasci.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Sonho...

terça-feira, 22 de junho de 2010

A pedidos

Minha tese e a dissertação.

Para você, Jessie

Rede Globo de Televisão, EUA, Schumacher e Eike Batista



É preciso ser incansável para sobreviver e manter o bom humor com a recorrente militância brasuca contra certos ícones de sucesso. A bem sucedida Rede Globo, por exemplo, sempre aparece nas listas de vilãs nacionais. Normalmente quem combate a emissora combate também os EUA, o piloto Schumacher e o industrial Eike Batista, imagens de poder e vigor. Não vou aqui discutir essa estratégia de esquilo na chuva, maniqueísta e simplista, sempre agregando-se aos mais fracos e opondo-se aos fortes. Parto aqui em defesa da Rede Globo e da televisão de qualidade que ela sabe fazer. Quando falo de televisão de qualidade refiro-me ao conceito apresentado pelo British Film Institute,em 1980.Quem quiser saber mais basta ler minha tese . Sou uma telespectadora eclética e determinada, vejo absolutamente tudo que aparece na televisão, pelo menos uma vez, independente de um suposto caráter erudito ou popular. Aliás, os mais próximos acham meu gosto duvidoso, pois aprecio programas de auditório e humorísticos pouco sofisticados. Argumentos tenho muitos, outra hora falo deles. A Rede Globo, além da competência técnica, tem ousado em formatos, abordagens de conteúdos, jornalismo público. Mesmo para aqueles que precisam se contentar com a Globo aberta, é possível ter acesso a programas que apostam em sujeitos pensantes na recepção. O Globo Rural, exibido aos domingos pela manhã, tem reportagens lindas, sensíveis, que nos permitem conexões múltiplas com outros conhecimentos. Nem mesmo a TV Cultura, que teria por princípio exercer o jornalismo público tem conseguido abordar temas na contramão dos interesses de mercado, como a Globo tem feito com eficiência em sua programação. A ousadia ponderada dos produtores e protagonistas globais é a estratégia encontrada por eles para incluir inovações e contribuições de valor social na programação da emissora sem que isso constitua uma quebra de contrato com os patrocinadores.A primeira vez que vi um jornalista perguntar a um cientista de um possível equívoco acerca do aquecimento global foi o jornalista Eduardo Grilo na Globo News! E agora, neste momento tédio de copa do mundo, é possível ver o jornalista esportivo Régis Rösing (o vídeo é um trecho dele) em reportagens que recuperam a história do Brasil pelo viés dos mundiais de uma maneira singular! Quem aí sabia que o primeiro paraquedista brasileiro aprendeu a arte com os nazistas, quando foi "infiltrado" como educador físico da nossa seleção no mundial, objetivando apenas saber como os alemães treinavam seu exercito? Graças ao Régis vou virar perita em Copa do Mundo!Não podemos combater a Rede Globo como se ali só encontrássemos mediocridade e reforço social da miséria da população! O olhar deve ser mais abrangente que isso, por favor.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

A cegonha de crise trouxe....

Recém nascidos:

www.perguntosimemuito.blogspot.com

www.estoriaemblog.blogspot.com (colaboradora de Rozane Suzart)

Afinal, tudo na minha vida vira um blog, um artigo ou um livro!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Espera, Ana Paula, espera.....

Eu sempre sonho que uma coisa gera,


nunca nada está morto.

O que não parece vivo, aduba.

O que parece estático, espera.

Adélia "semprelinda" Prado (as palavras que me consolam...)

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Minha irmã na viagem dos sonhos dela...

...Passei a tarde em um bar molhado tomando uma bebida vermelha que me gelava a "ganguela"...

Ai, ai.....

Para quem desconhece: estandartes











Uberaba e UFTM







Uberaba da minha infância é: ameixa (doce típico semelhante a uma queijadinha...hum...), suco de tamarindo, tardes azuis, cachorros amarelos, sossego e silêncio (quebrado apenas pelas risadas de crianças que ainda brincam na rua e em quintais encantados), galinhada (valha-me Deus, vou ter que ter uma academia em casa), praças e mais praças tranquilas e arborizadas, ruas limpas, escolas boas, minha família presente....
Uberaba do meu presente e futuro é: esperanças laranjas coberta por borboletas amarelas.....

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Querido saca-rolhas....



"Querido saca-rolhas, você dança muito bem. Gira tão leve e delicado que parece a bailarina do Lago dos Cisnes. Já o senhor, palito de fósforos, tem a cabeça muito quente, por isso toma decisões tão explosivas. Agora vocês, família de sapatos, parabéns por chutarem tão bem os problemas pequenos”.

Durante quatro dias, a Serraria Souza Pinto recebe objetos nacionais e importados. Made in Brasil, França, Espanha, Alemanha, Argentina e Holanda. 14 companhias teatrais de 6 países. Cenografia temática e interativa. Shows musicais. FotoFito: espaço lúdico onde você tira o objeto para dançar e leva a foto de lembrança. FitoMostra: mostras interativas para você saber mais sobre o teatro de objetos. FitoFeira: exposição de objetos curiosos.

Cacarecos em São Paulo. Quinquilharias no Recife. Bugigangas no Rio de Janeiro. Badulaques em Belo Horizonte. Doutor Badulaque no Fito Belo Horizonte. Nosso mestre de cerimônia, regido pelo talentoso ator gaúcho Mario de Balentti, é uma atração à parte, durante cada segundo de todas as horas dos quatro dias.

Festival Internacional de Teatro de Objetos. Fito. Palavra do latim que também significa planta. Então, essa é a semente em BH. Uma fitoterapia para plantar novos conceitos, novos formatos. Muita cultura e diversão. Aproveite.

Veja a programação completa no site: www.fitofestival.com.br

Educar para o não-comsumismo-receita da poeta Hilda Hilst

"Corte um saco em pequenos pedaços. Um de estopa, evidente. Embrulhe vários ovos, um por um, em cada pequeno pedaço de estopa. Pinte caras descarnadas, dentes pontudos e beiços vermelhos na cara dos ovos (sempre esses de galinha ou de pato, é desses que eu estou falando). Quando alguma das tuas crianças começar a pedir aquelas coisas caríssimas e imbecis que são sugeridas na televisão, cubra-se de negro a noite, use tintas fosforescentes para ressaltar a cara dos ovos (aqueles) e quebre-os um a um nas pequeninas cabeças dizendo com voz rouca: parem de pedir coisas impossíveis a sua mãe, seus canalhas!"(Hilda Hilst)

Luz apagada



No quarto escuro......

domingo, 2 de maio de 2010

Luz acesa

Vagalume!

sexta-feira, 30 de abril de 2010

terça-feira, 27 de abril de 2010

Você sabe algum poema "de cor?"

"Quem, entre os jovens, hoje, sabe poemas de cor? Quais poemas? Quem ainda hoje ainda configura as primeiras emoções de seu imaginário através dos textos de nossa tradição?
Sem um certo mundo interior, pode-se passar diante das pirâmides egípcias e não se sentir nada. Pode-se também passar diante de uma pequena cidade perdida por aí e sentir desencadearem-se sutis e imperdíveis emoções."
Affonso Romano de Santana

Quando viajo e vejo nos campos abertos árvores solitárias sempre me lembro de um poema do Manoel de Barros, em que ele diz que "árvores avulsas ampliam horizontes". Há uma relação direta entre o poema e esta imagem, nascida da primeira vez que tive contato com estas palavras. Não há divórcio para este casamento, nem que eu tente, nem que eu queira. Gosto desse "automático" no palquinho do meu cérebro, vejo a árvore, vem o poema, vem o poema, vejo a imagem. Não sou muito boa em memorizar textos, minha inclinação é para versões novas, o que tira um pouco a graça de declamações..Mas guardei da infância e da vida muitos fragmentos poéticos que hoje estampam as paredes dos meus cenários invisíveis. Fico feliz que seja assim. Penso que deva ser muito chato um pensar sem poesias que se armem...Depois de ler este pedacinho do texto do A. Romano, fiquei com uma vontade de ampliar meu repertório poético...Vamos todos?

Porque,quando tudo parece me faltar,a Liberdade me dá colo.

DINDINHA (Elisa Lucinda, que hoje estará no Teatro Alterosa em Belo Horioznte)

Por causa dela me criei transparente,corri risco, briguei com grandes e defendi inocentes.Agitei bastante, por ela,as porções de ingredientes do conhecimento antes de usar.Por ela, e em sua confiança, me lancei na estrada nebulosae definida do sonho;estrada que só a esperança constróicom inquebráveis invisíveis estruturas.E fui de costas, de quatro, de peito e de frente para o tal sonho.
Desde pequena gostava de admirar o crepúsculo.— Mesmo antes de haver em meu repertórioa palavra crepúsculo —Gostava de reparar na boniteza das pessoase de descobrir muita variedade de beleza nelas;nas vitrines, nas casas, nas flores, nas roupas, nas tardes,e usava dela para exclamar, em alto e bom som,meu contentamento com o mundo,meu descontentamento com o mesmo mundo,meu espanto com suas novidades diáriase seus bordéis de cores em tudo.Por irmandade com ela topei viagens,fiz trocadilhos na alta filosofia do bom humore ainda preservei a doce inquietudecom suspensesde boas vésperas no peitinho sonhador.Por causa dela fui suspensa do colégio,apanhei urna vez de meu pai,namorei escondido,levei profundos beliscões de minha avó,brinquei de carrinho de rolimã, de boneca,soltei pipa e desobedeci.Por acreditar nela me casei amando,tive filho querendo, me separei, mudei de estado,de profissão, viajei,me vesti como se fosse carnaval para uso diário, me expus,falei coisa simples que todo mundo vive mas finge que não.Pulei muros, regras, fiz bainhas cada vez mais pra cima nasminhas saias.Por causa dela lapidei dores,engoli uns sapos, cuspi rãs, recusei sorrindo e de bom gradopropinas, mordomias e cargos, piscinas e conchavos.Por ela fiz amigos livres e originais,iguais a todo mundo eao mesmo tempo não parecidos com ninguém.Agarrada firme à sua mãocriei neologismos, inventei atitude, expressão e moda.Por ir fundo nelapintei o sete, fiquei de castigo por fazer artee saí do castigo pela mesma arte.Em seu nome tratei crianças como senhores, escritores,repentistas, sábios e mentores, criei filho com alegria,respeito, com sim e não mas sem opressão.Cantei alto nas ruas urbanas sobre as bicicletas,assobiei alto dentro dos coletivos, testando a afinação do bico.Por causa dela me espelhei nos passarinhos,me repararam muitoe fui chamada de maluca molecairresponsável irrotulável puta pagã e poeta.Por causa dela passei noites procurando o amor,errando e acertando versos de amor,e por causa dela o amor me encontrou.Com ela desfrutei de bonanças,compreendi e aceitei temporais.Com ela dei música à minha voz,fôlego aos meus princípios,inícios aos meus finais.Mas foi exatamente ela quem me ensinou a seguir,enrolada como meus cabelos,resoluta como o vento,límpida como a estrada que eu via e vejo,clara como as palavras que digo e escrevo,frágil e forte como meus desejos.Pois, de joelhos estou por ela,voando estou com ela,grata que sou a ela.
Porque,quando tudo parece me faltar,a Liberdade me dá colo.


Gostaria que o Saviola me visse assim!

domingo, 25 de abril de 2010

Depois do salão....

Meus amiguinhos os Backyardigans!!


Temos o MUNDO inteiro no nosso quintal! Hoje meu sobrinho Saviola vai ao show com os pais. Queria MUITO estar junto. Eu não sei exatamente porque ele GOSTA tanto destes bonecões...Mas já sei todas as músicas: Marte! aí vamos nós...

Contra a aridez I

O primeiro livro de adultos para colorir

Contra a aridez II

...manequim da saudade aumentando....

sábado, 24 de abril de 2010

Insônia e tédio: lama (minha propaganda favorita no momento)

Manequim da saudade

Querência

Meu amor é absurdamente agarrado a esse tronco, meu abacate!
Toda palavra caráter,
repito,
mora aí.
Dormir no embate maravilhoso de nossas pernas
é coisa de areias desertos tesouros achados.
(...)
sinto por você uma canção sem nome,
(...)
Um desejo de um barro especial do qual você é feito
e que se espalha na nobreza do seu corpo.
Não na pompa mas na pampa da longa camisa de sua pele,
esse gaudério espaço onde me econtro
e onde meus poros berram mansos "é aqui, é aqui!"
Daí nunca mais sair.
Só se por motivo de aumentar o manequim da saudade,
só se por vontade de durar o eterno,
só se pelo terno acontecer do nosso amor melhorado.
(...)
Me dar a ti é morar
numa árvore rara,
feito uma casa clara
com amplas e infinitas janelas.

(A fúria da beleza, Elisa Lucinda)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Como fazer uma titia jururu ficar feliz da vida?








Meus amorzinhos, Saví e Totô...vocês ainda vão ouvir falar muitooooo desse trio!