sexta-feira, 30 de abril de 2010

terça-feira, 27 de abril de 2010

Você sabe algum poema "de cor?"

"Quem, entre os jovens, hoje, sabe poemas de cor? Quais poemas? Quem ainda hoje ainda configura as primeiras emoções de seu imaginário através dos textos de nossa tradição?
Sem um certo mundo interior, pode-se passar diante das pirâmides egípcias e não se sentir nada. Pode-se também passar diante de uma pequena cidade perdida por aí e sentir desencadearem-se sutis e imperdíveis emoções."
Affonso Romano de Santana

Quando viajo e vejo nos campos abertos árvores solitárias sempre me lembro de um poema do Manoel de Barros, em que ele diz que "árvores avulsas ampliam horizontes". Há uma relação direta entre o poema e esta imagem, nascida da primeira vez que tive contato com estas palavras. Não há divórcio para este casamento, nem que eu tente, nem que eu queira. Gosto desse "automático" no palquinho do meu cérebro, vejo a árvore, vem o poema, vem o poema, vejo a imagem. Não sou muito boa em memorizar textos, minha inclinação é para versões novas, o que tira um pouco a graça de declamações..Mas guardei da infância e da vida muitos fragmentos poéticos que hoje estampam as paredes dos meus cenários invisíveis. Fico feliz que seja assim. Penso que deva ser muito chato um pensar sem poesias que se armem...Depois de ler este pedacinho do texto do A. Romano, fiquei com uma vontade de ampliar meu repertório poético...Vamos todos?

Porque,quando tudo parece me faltar,a Liberdade me dá colo.

DINDINHA (Elisa Lucinda, que hoje estará no Teatro Alterosa em Belo Horioznte)

Por causa dela me criei transparente,corri risco, briguei com grandes e defendi inocentes.Agitei bastante, por ela,as porções de ingredientes do conhecimento antes de usar.Por ela, e em sua confiança, me lancei na estrada nebulosae definida do sonho;estrada que só a esperança constróicom inquebráveis invisíveis estruturas.E fui de costas, de quatro, de peito e de frente para o tal sonho.
Desde pequena gostava de admirar o crepúsculo.— Mesmo antes de haver em meu repertórioa palavra crepúsculo —Gostava de reparar na boniteza das pessoase de descobrir muita variedade de beleza nelas;nas vitrines, nas casas, nas flores, nas roupas, nas tardes,e usava dela para exclamar, em alto e bom som,meu contentamento com o mundo,meu descontentamento com o mesmo mundo,meu espanto com suas novidades diáriase seus bordéis de cores em tudo.Por irmandade com ela topei viagens,fiz trocadilhos na alta filosofia do bom humore ainda preservei a doce inquietudecom suspensesde boas vésperas no peitinho sonhador.Por causa dela fui suspensa do colégio,apanhei urna vez de meu pai,namorei escondido,levei profundos beliscões de minha avó,brinquei de carrinho de rolimã, de boneca,soltei pipa e desobedeci.Por acreditar nela me casei amando,tive filho querendo, me separei, mudei de estado,de profissão, viajei,me vesti como se fosse carnaval para uso diário, me expus,falei coisa simples que todo mundo vive mas finge que não.Pulei muros, regras, fiz bainhas cada vez mais pra cima nasminhas saias.Por causa dela lapidei dores,engoli uns sapos, cuspi rãs, recusei sorrindo e de bom gradopropinas, mordomias e cargos, piscinas e conchavos.Por ela fiz amigos livres e originais,iguais a todo mundo eao mesmo tempo não parecidos com ninguém.Agarrada firme à sua mãocriei neologismos, inventei atitude, expressão e moda.Por ir fundo nelapintei o sete, fiquei de castigo por fazer artee saí do castigo pela mesma arte.Em seu nome tratei crianças como senhores, escritores,repentistas, sábios e mentores, criei filho com alegria,respeito, com sim e não mas sem opressão.Cantei alto nas ruas urbanas sobre as bicicletas,assobiei alto dentro dos coletivos, testando a afinação do bico.Por causa dela me espelhei nos passarinhos,me repararam muitoe fui chamada de maluca molecairresponsável irrotulável puta pagã e poeta.Por causa dela passei noites procurando o amor,errando e acertando versos de amor,e por causa dela o amor me encontrou.Com ela desfrutei de bonanças,compreendi e aceitei temporais.Com ela dei música à minha voz,fôlego aos meus princípios,inícios aos meus finais.Mas foi exatamente ela quem me ensinou a seguir,enrolada como meus cabelos,resoluta como o vento,límpida como a estrada que eu via e vejo,clara como as palavras que digo e escrevo,frágil e forte como meus desejos.Pois, de joelhos estou por ela,voando estou com ela,grata que sou a ela.
Porque,quando tudo parece me faltar,a Liberdade me dá colo.


Gostaria que o Saviola me visse assim!

domingo, 25 de abril de 2010

Depois do salão....

Meus amiguinhos os Backyardigans!!


Temos o MUNDO inteiro no nosso quintal! Hoje meu sobrinho Saviola vai ao show com os pais. Queria MUITO estar junto. Eu não sei exatamente porque ele GOSTA tanto destes bonecões...Mas já sei todas as músicas: Marte! aí vamos nós...

Contra a aridez I

O primeiro livro de adultos para colorir

Contra a aridez II

...manequim da saudade aumentando....

sábado, 24 de abril de 2010

Insônia e tédio: lama (minha propaganda favorita no momento)

Manequim da saudade

Querência

Meu amor é absurdamente agarrado a esse tronco, meu abacate!
Toda palavra caráter,
repito,
mora aí.
Dormir no embate maravilhoso de nossas pernas
é coisa de areias desertos tesouros achados.
(...)
sinto por você uma canção sem nome,
(...)
Um desejo de um barro especial do qual você é feito
e que se espalha na nobreza do seu corpo.
Não na pompa mas na pampa da longa camisa de sua pele,
esse gaudério espaço onde me econtro
e onde meus poros berram mansos "é aqui, é aqui!"
Daí nunca mais sair.
Só se por motivo de aumentar o manequim da saudade,
só se por vontade de durar o eterno,
só se pelo terno acontecer do nosso amor melhorado.
(...)
Me dar a ti é morar
numa árvore rara,
feito uma casa clara
com amplas e infinitas janelas.

(A fúria da beleza, Elisa Lucinda)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Como fazer uma titia jururu ficar feliz da vida?








Meus amorzinhos, Saví e Totô...vocês ainda vão ouvir falar muitooooo desse trio!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

quarta-feira, 21 de abril de 2010

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Ana Hickmann e grupo Calipso: como minha mãe explica a cena armada


Minha mãe viu um programa com a apresentadora Ana Hickmann e o grupo Calipso. A moça é altíssima e a estatura dos inegrantes do grupo um quase nadinha...Olhem como ela me explicou a diferença! Estilo Casteo Ratimbum!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

sábado, 27 de março de 2010

Ando com vontade de...

Ser cada vez mais e mais e mais e mais simples.

sexta-feira, 26 de março de 2010

sexta-feira, 5 de março de 2010

quinta-feira, 4 de março de 2010

quarta-feira, 3 de março de 2010

Dou reforço escolar


Loira rapina

A SERENATA
Adélia Prado

Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mãos incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natal como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier,
porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos-
só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela,
se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?
Ontem vi a jornalista Mônica Waldvogel sendo entrevistada por Marília Gabriela. A certa altura, Marília inicia uma pergunta comentando que a Mônica não preencheu na ficha da produção o ano de nascimento, e "atirou": a partir de que idade você passou a se incomodar com a idade. Indelicada com alguém que floresce delicadezas? A Mônica se saiu muito bem. A Marília parecia uma ave de rapina.

terça-feira, 2 de março de 2010

Presente da Chrys....


....para a diva que ela sabe que sou!

Hoje é meu aniversário...

E vou dar uma festa! Estão convidados: Seu Jorge, Chico César, Leila Ferreira, Regina Casé, nossa vizinha Tina que faz aniversário no dia de São Francisco e ama animais, Manoel de Barros, Nietzche, Lassie e Ritintim, Benjie, ET, Fliper, Amelie Poulin, Vien do filme Chocolate, a Elza e o Fred, Pedro Bial, Lisa e Apolo, meu gato Antônio, Harrison Ford, Tim Robbins, Clint Eastwood, George Clooney, Yan Tiersen, Luiz Gonzaga, Trio Virgulino, o grupo Bicho de Pé, Greta e Fran, Elvis Presley, Will Smith, a Lisbela e o Lalau, Sidney Magal, Adélia Prado, Eduardo Grilo, os alunos que moram no meu coração, Didi Mocó, Mama Bruscheta, Jack Nicholson, Capitão Rodrigo, Mário Quintana, Érico Veríssimo, a Clarissa e o Vasco de Música ao Longe, Elisa Lucinda, minhas professoras Marilene e Terezinha, meu primo Marcelo, Jamie Oliver, Raí, Rogério Ceni, mãe e filha Gilmore, todos aqueles com quem eu troco mais de cinco e-mails por semana (não vale "encaminhamentos" de pps e piadas), meus cachorros, a Tetê, os cachorros da minha infância, minhas amigas queridas, meus amigos e primos de Portugal, o Pedro e o pequeno, minhas irmãs e suas respectivas tropas, pai, mãe, vó, meu sobrinho e afilhado Saviola (que nem convidado precisava ser), minha amiga do coração Chrys, joaninhas, borboletas amarelas, o tiê sangue, formigas "loiras"....

Os convidados podem trazer acompanhantes.

Se você me ama e não aparece na lista, queixe-se em um lamento indígena que seu nome será incluído com prazer...Tô velhinha, né!

Traje: homens usem sandálias e mulheres saias! Ops! Não é pelado de sandálias e semi-nua de saia, todos vestidos, por favor, mas usando estes itens...

Quero presentes.

Viva eu!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

E de repente sentimos sermos compreendidos..e nem foi preciso abrir a boca...

“Já estamos entendendo errado as pessoas antes mesmo de encontrá-las, enquanto ainda estamos prevendo o que vai acontecer; entendemos errado enquanto estamos diante delas; e depois vamos para casa e contamos a alguém sobre o encontro, e de novo entendemos tudo errado. Uma vez que a mesma coisa acontece com os outros em relação a nós, tudo vira uma ilusão desnorteante, destituída de qualquer percepção, uma espantosa farsa de incompreensões. E, com tudo isso, o que é que vamos fazer a respeito dessa questão profundamente significativa que são as outras pessoas, que se veem drenadas de toda a significação que julgamos ser a delas e adquirem, em vez disso, um significado burlesco, o que vamos fazer se estamos tão mal equipados para distinguir os movimentos interiores e os propósitos invisíveis uns dos outros? Será que todo o mundo devia trancar a porta de casa e ficar quieto, isolado, como fazem os escritores solitários, em uma cela a prova de som, invocando as pessoas por meio de palavras e depois sugerindo que essas pessoas feitas de palavras estão mais próximas das coisas reais do que as pessoas reais que deturpamos todos os dias com a nossa ignorância? Persiste o fato de que entender direito as pessoas não é uma coisa própria da vida, nem um pouco. Viver é entender as pessoas errado, entendê-las errado, errado e errado, para depois, reconsiderando tudo cuidadosamente, entender mais uma vez as pessoas errado. É assim que sabemos que continuamos vivos: estando errados. Talvez a melhor coisa fosse esquecer se estamos certos ou errados a respeito das pessoas e simplesmente ir vivendo do jeito que der. Mas se você é capaz de fazer isso… bem, boa sorte.” Philip Roth (excerto de Pastoral Americana, 1997)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Hum...que vontade de pastel de belém....

Amigos, estarei fora por uns dias...Se der (espero que não dê!) mando notícias de lá! Beijos e até a volta!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Vento

Hoje tivemos noroeste, foi breve. A cena assusta (um pouquinho) e encanta (muitinho): a natureza expressando-se em sua potência! Meus cachorros correm pelo quintal, selvagens e livres. Eu os imito, e fico com eles a receber o vento no rosto a despentear-me! Delícia...

Re-colocação profissional

Teria a Ana paula descoberto sua vocação?

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Para Rozane Suzart: lembrança alada....

Lembrança alada

Em algum dia fui ave

Guardo memória
de paisagens espraiadas
e de escarpas em voo rasante

E sinto em meus pés
o consolo de um pouso soberano
na mais alta copa da floresta

Liga-me á terra
uma nuvem e seu delseixo de brancura

Vivo a golpes
com o coração de asa
e tombo como um relâmpago
faminto de terra.

Guardo a pluma
que resta dentro do peito
como um homem guarda seu nome
no travesseiro do tempo.

Em alguma ave fui vida.

Mia Couto
Maputo, 2004.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Um ano de pastel...

3791 visitantes
5795 visitas
51 países
No Brasil, 168 cidades ...

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Ondjaki: repessoar-se



também:aprendizagem é a palavra que, ela sim, ramifica e desramifica uma pessoa; ela enlaça, abraça; mastiga um alguém cuspindo-o a si mesmo, tudo para novas géneses pessoais.estas palavras são para pessoas que se autorizam constantes aprendicismos. modos. maneiras. viveres. até sangues.aprendizar não é repessoar-se?

E o que é o amor?


O escritor Ondjaki, em entrevista a Cláudia Fabiana (aqui), quando inquerido sobre o amor, "qualquer tipo de amor", responde:

Talvez o amor seja sabermos estar… Assim como saber estar é saber dar-se, e saber buscar o que no outro nos faz crescer. Companhia. Respeito. Sexo. Ousadia. Rebeldia. Amizade. Companhia. Talvez o amor seja sabermos compreender o outro para voltarmos a nós em paz.


Imagem: Tia e sobrinho no Louvre, abril/2009

domingo, 20 de dezembro de 2009

Mudar de vida



Se há vida em ti latejar...

Ver-te a sorrir...

E a cantar...

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Árvore azul na chegada á cidade de Caraguatatuba

E quem tem mais árvores e decoração de Natal para compartilhar??

Árvore na Avenida Paulista




quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Riso



"[...] o mais importante e bonito, do mundo é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso me alegra, montão [...]" (Riobaldo, Grande Sertão Veredas, Guimarães Rosa)

Imagem: Palhaço Chapadinho na Avenida Paulista (contato (11) 2464 0322 ou palhacochapainho@yahoo.com.br )

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

E viva o Natal!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!







Amigos, mandem-me fotos do Natal na cidade de vocês! Pai Natal, árvores, iluminação, corais, embrulhos, da árvore da casa de vocês! Vamos deixar o Pastel tilintando! Estas imagens são colaboração da minha amiga Chrys, a pessoa mais delicada que conheço e foram feitas no shopping Iguatemi, em São Paulo. Obrigada, amiga!



quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Eu sei que eu disse

Eu sei que disse que todos os posts deste mês seriam sobre o amor. Não deixa de ser...Mas estes dias tenho estado sozinha com minha avó em casa. E esta notícia da menina que tentou leiloar a avó no e-bay parece-me tão razoável!! Como estou (somos) despreparados para a convivência com as pessoas mais velhas! Mas vamos precisar aprender, pois estamos todos vivendo mais. Como seria aprender e ensinar sobre o envelhecimento? Em São Paulo as pessoas (não todas, claro) têm o péssimo hábito de se referirem ás pessoas com mais de 60 anos como "senhorzinho" e "senhorinha". Diminutivo é a maneira mais imbecil de tentar colocar o outro em uma situação de "inferioridade" através das palavras. E o que é inferior (crianças, mulheres, deficientes...) necessita de cuidados e deflagra pena naquele que acredita estar em uma condição de privilégio. É preciso igualdade de tratamento entre as pessoas. Aliás, se houvesse uma hierarquia as pessoas mais velhas seriam superiroes as mais jovens, não? Provavelmente isso não se aplica a todos os "velhinhos" do mundo, né? Minha avó tem histórias ótimas. Mas eu já as ouvi mil vezes!!! Eu apenas queria saber liar melhor com ela...Sem precisar leiloá-la! Afinal, eu amo de perder de vista esta senhora de cabeça branquinha que come chocolate com a boca melhor do mundo....(acabei falando de amor!!)

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Amor, Natal, Tico e Paula

Manuel Bandeira e Mário Quintana têm poemas que descrevem os sentimentos do primeiro amor...O primeiro amor teria sido então deflagrado por mínimos bichinhos de animação: o cachorrinho Victor e um porquinho da índia! A primeira vez que li estes poemas, muito criança, achei graça, mas não entendi. Como assim, um cachorrinho ser o "primeiro amor" de alguém? Desde então aprendi muito sobre este sentimento, e sei que ainda tenho muito para aprender. Embora entender o amor entre casais seja para mim grande desafio, o amor é mais abrangente que isso. A gente não escolhe quem vai amar. O amor simplesmente acontece e é melhor não buscar explicações. Sei que algumas pessoas não concordam, mas para mim há amor bom e amor mau. O amor bom é aquele capaz de desencadear florescimentos, faz a gente desejar ser melhor. Simples assim. Mas este post não é para dizer estes muitos "lugares-comuns"! Este post é para comunicar a todos que por aqui passam, que de hoje e por todo mês de dezembro, por conta do meu Natal em dobro, o único assunto aqui permitido é o amor! Amor, amor, amor...Inauguro esta temporada com fotografia garimpada nos gaurdados familiares e que mostram talvez meu "primeiro amor" (seguindo o Bandeira e o Quintana): Tico, essa fofurinha nos meus braços....Na verdade antes do Tico tive outro amor, Pluto, mas tinha dificulade com o "l" do nome e fiz meus pais passarem por alguns cosntrangimentos gritando o nome do cachorrinho no quintal sem a letra....Tico e Pluto, apenas inauguraram a lista dos amores peludos que estariam por vir....É isso, temporada do amor aqui no "pastel"!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Pequeno Príncipe em São Paulo


Minha amiga Chrys, a pessoa mais delicada que conheço,foi á exposição no Ibirapuera e fez estas imagens...editou com a música do Yan Tirsen. Ficou lindo, dá vontade de chorar...

O essencial é invisível aos olhos...

domingo, 22 de novembro de 2009

Titia


O amor. De repente, quando menos se espera, instala-se...Este é o veradeiro milagre da vida....
Fotos da titia Paula com o menino mais lindoooooooooooooooooo deste mundo!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Reparem no rosto vermelho da titia, depois de 5 voltas no trenzinho do Papai Noel...

Evento em Florianópolis








Folga no meio do evento.


terça-feira, 3 de novembro de 2009

Um jeito Gilda de ser


Por todas as Gildas que habitam em cada uma de nós!
O importante é acreditar em quem se é.
E você, já teve seu momento Gilda hoje?

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Day sister

Eu recebi algumas mensagens sobre o dia das irmãs. No mar de emails que recebo, não sei mais que dia é. Mas para mim não importa, pois agradeço a Deus todos os dias as irmãs que tenho! Elas são muitas vezes muitoooo chatas. Já brigamos feio muitas vezes. Mas não há nada como saber que as duas existem! E há ainda as amigas.....Como é bom ter irmãs!
Foto: Do baú, eu dando um beijinho super espontâneo na minha irmã Ana Elisa.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Luar do sertão...

No dia do professor, só penso em "divinar"

A ciência pode classificar e nomear os órgãos de umsabiáMas não pode medir seus encantos.
A ciência não pode calcular quantos cavalos de força existem nos encantos de um sabiá.
Quem acumula muita informação perde o condão de adivinhar: divinare.
Os sabiás divinam.
Manoel de Barros

Estrelinhas felizes

domingo, 11 de outubro de 2009

O forró na vida de Ana Paula



Estou aprendendo a dançar forró. Grande exercício esse e não me refiro ao trabalho do coração ou enrijecimento muscular. Exercício pro espírito! Para mim, são duas as principais dificuldades.

A primeira é submeter-me a ficar em segundo plano nas tomadas de decisão, e fazer o que o meu par quer que eu faça. Meu professor logo percebeu que sou mandona, e que queria eu definir para que lado ir. Mas era ele quem decidiria o destino dos nossos passos pelo salão...A mim, restava ficar atenta e não ficar tentando adivinhar, mas deixar acontecer de acordo com os sutis sinais dele...

A segunda dificuldade, pode parecer absurda, mas é não pensar...Sim! Quanto mais eu penso, mais eu erro no forró. Mão na altura do enlace, braço suave, um pra lá, um pra cá e...pisão no pé! O forró para mim é atividade não pensante, uma hora que eu não posso e não devo trazer a tona qualquer lógica ou linhas de argumentação.

No mais, é deixar fluir e dançar. E como é bom!!! A zabumba aloja-se dentro do coração da gente e o corpo delicia-se com o som da sanfona. Felizes, os corpos parecem crianças aprontando peraltices...É uma coisa linda de se ver...Cada um dá a sua medida, uns mais respeitadores, outros com fôlego e má intenção de quem rouba jabuticabas no quintal do vizinho...

O vídeo, é do Bicho de Pé, que vi novamente no Canto da Ema em São Paulo este fim de semana....Agora, com coragem para dançar...Ou quase isso.

Ver o som



Idéia interessante. Materializar as ondas sonoras em objetos. Uma reinterpretação para paisagem sonora....

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Banco do Brasil, USP e Unicamp

Espantosamente o Banco do Brasil conseguiu em um ano sair do buraco e assumir o primeiro lugar no ranking dos bancos lucrativos (banco lucrativo não seria pleonasmo?), trocando de posição com o Itaú. As propagandas do Banco do Brasil enaltecem a competência e sagacidade dos responsáveis pela mudança! O que ninguém diz é que isso só aconteceu pq os governos fizeram acordos com o Banco do Brasil e retiraram as contas do funcionalismo público do Itaú. Todos! Imagino o teor das negociações...Não seria por isso que o BB e o Itaú trocaram de lugar no ranking? Mas ninguém diz isso.

A USP e a UNICAMP têm regras só delas para muitos processos próprios desse tipo de instituição. Para o Enem, quando esta discussão começou, as duas universidades aventaram não utilizar os resultados da prova para o ingresso dos novos alunos. Mas recuaram, pois era feio feio só as duas não aderirem. Agora, com a bagunça da prova, a Unicamp já anunciou que por conta das datas não utilizará os resultados. Hoje a USP anuncia se vai ou não aderir ao ENEM. Vamos fazer um bolão? Como eu quero me enganar...

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Quem lembra da professora cafona?



Já falei aqui sobre a imagem que o professor supostamente teria na sociedade. Terrível. Mas parece que novos ares estariam a vir e quem sabe modificar a paisagem das escolas. Ou talvez eu esteja a ser ingênua e seja apenas uma camapnha vazia. Afinal, quem quer receber uma média de 1000 reais para trabalhar cerca de 40 horas semanais? O salário médio do professor varia entre 570 reais e 1200 reais, nas instituições públicas, basta ver os sites dos concursos públicos. Mas minha ingenuidade sonha com esta figura cheia de entusiasmo descrita pela propaganda, embora não seja exatamente estas pessoas interessantes que encontramos na sala dos professores...Eu já vi cenas medonhas na sala dos professores, local que aprendi a evitar quando dava aulas. Vi professor comendo a merenda dos alunos, e não havia o suficiente. Vi professor falando mal de aluno de uma maneira nada ética. Vi professor falando mla dos colegas educadores. Mas isso nos tornaria humanos, não é? Essa é sem dúvida uma discussão das melhores, pensar o perfil ideal do sujeito que pretende ser professor e o papel do professor na sociedade. As duas campanhas patrocinadas pelo MEC giram em tono exatamente dessas questões. O que pensam os leitores do "Pastel"? Volto a falar sobre isso, não há dúvida.

domingo, 27 de setembro de 2009

Metarmofose....

Era uma vez uma mulher entediada, muito entediada, que sonhou acordar um dia transmutada em garrafa PET, no melhor estilo Metamorfose do Kafka!
Acordar uma garrafa de 1,5 l, esbelta e muda...
Uma garrafa com potencial para poluir o planeta Terra por aproximadamente 500 anos!
Mas a alegria de mulher-garrafa dissipou-se quando o espirituoso cunhado da entediada criatura disse que se por acaso um dia ela amanhecesse garrafa PET ele a doaria para a reciclagem!!!
Pobre infeliz! Reciclada, seu destino será o de eco-tecido e sacola não-descartável de supermercado...

Dá para acreditar?



sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Bebê golfinho...


Quem resite?

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Sou normal....?

Achei isso nos meus guardados.....

Alguém me explica?

domingo, 20 de setembro de 2009

Se você fosse um invertebrado....

Você não pode escolher pois não sabe bem quem são os invertebrados? Pois, são os bichos que não têm esqueleto, sem ossos. Normalmente as pessoas não os apreciam, têm medo ou nojo. Mesmo eu, bióloga que sou, não tenho muita simpatia por alguns. Por exemplo, as baratas, invertebrados que não su-porto! Mas hoje estive a pensar, que se eu fosse um invertebrado, acho que gostaria de ser uma aranha. Oito patas....Elas elegantes, deslizam com suas perninhas finas...Hábeis, tecem com fio produzido por elas mesmas teias magníficas, rendas...São rendeiras as belezinhas...Os bebês são carregados em uma "bola"(ooteca), que a mamãe-aranha protege com a própria vida! Mas o motivo pelo qual eu ia querer ser uma aranha é outro...É que hoje estive a observar uma aranha, tão linda, e a imaginei tocando acordeon. Teria cena mais linda???
Uma aranha usando suas delicadas patinhas para tocar sanfona...as outras penduradinhas, a balançar.....

E você, que invertebrado seria???

Imagem do filme da aranha Charlote, anterior ao A Menina e o porqinho.

Casa mal assombrada!


Precisamos aqui mudar de casa, enquanto a casa dos sonhos não fica pronta. Ofereceram-nos uma bem próxima a que estamos...Ofereceram-nos uma casa "mal assombrada"! Sim, elas existem! Dizem que a última moradora da tal casa foi-se embora sem sequer levar seus peretences, depois que o fantasmam apareceu-lhe no quintal...E ela nem conhecia o falecido Gilberto! Descreveu-o com detalhes.... É assim, sempre que há imaginação de sobra e conhecimento de menos, essas histórias surgem. Minha mãe, que vale tão pouco quanto eu, cogitou a possibilidade de mudarmos. "Mas não vamos contar pra ninguém!". Ela estava se referindo aos outros que morariam na casa, e aqueles que nos visitam com regularidade. E eu disse: "E se alguém disse estar a ver algo esquisito?". Bom, nesse caso, minha mãe e eu (havia me tornado cúmplice dela!) estaríamos "acabadas! Teríamos que morar lá, na casa do falecido Gilberto. Gastaríamos uma fortuna em energia elétrica, pois íamos deixar a casa acesa durante toda a noite. Se é que isso impede que um fantasma apareça...Mas minha amalucada mãe, não parou por aí...Admito, apoiada e estimulada por sua cúmplice, euzinha. Resolvemos que morando lá, usaríamos umas roupas escuras, cultivaríamos um coportamento esquisito (sim, ainda mais esquisito), só para que a vizinhança nos temesse! Em resumo, morar na casa mal assombrada seria uma experiência inesquecível para mim e minha família. Afinal, quantas vezes a vida nos oferece uma experiência lúdica dessas? Quem aí já morou em uma casa mal assombrada?

sábado, 19 de setembro de 2009

Coragem


Como ela pôde deixá-lo ir-se embora???
Como alguém pode deixar um amor para trás?

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Hipocrisia

Nove horas da manhã. O café da manhã foi ao sabor da leitura de emails (ternurentos) e ver na televisão os jornais matutinos. Fico apavorada com a abordagem que as equipes de reportagem dão a certas notícias. Duas me deixaram especialmente triste.
Uma mostrou uma família feita refém por bandidos no Rio, em uma favela, durante a ocupação de um morro pela polícia. Os bandidos entregaram-se. A mãe da família, saiu de casa aos prantos e depois de dizer ao repórter que temeu por sua família, perguntou se seria presa. Vou ser presa? Ela era a vítima! E então os repórteres disseram, vejam como ela ficou confusa com o acontecido. Idiotas. Incapazes de perceber que a pergunta da senhora revela como o mundo está de cabeça para baixo! Mesmo sentindo-se vitimada, ela aventou a possibilidade de ela ser punida. Sim porque o que impera é o absurdo, aquilo que desafia o que poderia nos parecer o coerente.
A outra notícia mostra uma mãe em um vídeo caseiro incentivando sua filha a bater em uma colega na saída da escola. Todos querem mostrar sua indgnação. Pois bem, quando eu tinha uns 3 anos de idade, os filhos da vizinha (com aproximadamente 10 anos) subiam no muro e cobriam a mim e minha irmã de cusparadas, enquanto as duas boabalhonas brincavam na gangorrinha vermelha. Minha mãe pediu que a vizinha impedisse a cena. E ela nada o fez. Então minha doce e civilizada mãe ensinou-nos, meninas, defendam-se. O desfecho foi terrível, pois peguei uma pedra enorme e quebrei a cuca de uma das crianças, que nunca mais cuspiram na gente. O que me espanta na notícia da televisão, é que as pesoas todas dizem que a conversa é o melhor caminho. Quem quiser pode me enxovalhar, mas os tempos estão tão tortos, e há tão pouco espaço para corteses argumentações, que chego a desejar que a bárbarie fosse declarada, ou melhor, assumida! Afinal, todos os impasses são resolvidos por forças físicas ou de naturezas políticas que nada tem a ver com justas arguementações. Pois ando perdendo a vontade de defender-me pela palavra, pois parece-me muito mais eficiente os socos e pontapés. Não digo que a mãe das cenas de selvageria na porta da escola esteja correta, mas fico a imaginar se a escola não poderia ter impedido o acontecido, que provavelmente iniciou-se nas salas de aula...
Imagem da Ana Paula de palhaça, aqui não para fazer graça. Quantas vezes vou usar essa imagem?

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Sobre o silêncio

Para a análise do discurso, o silêncio é uma forma de dizer algo. O silêncio e o não dito, na verdade, são formas de dizer. Aquilo que eu descarto ao escolher o que eu vou falar, revela quem sou e como penso mais do que as vezes eu digo. Algumas pessoas, não suportam estar em silêncio. Há sempre um rádio ou uma televisão ligada por perto. Nesse caso o silêncio seria uma oportunidade para que a pessoa escute o que tem a dizer a si mesma. E nem sempre queremos nos escutar. O silêncio pressupõe escuta, escutar e entender o que o silêncio nosso e dos outros no reserva. Esse é um exercício que requer coragem. Mas para muitos, os ruídos são mais confortáveis e convenientes....
Foto Castelo dos Mouros Sintra, 2008

Arriscado mais...Morrido de amor...


Eu ainda vou "mais": preparar chocolate quente para a minha avó, brincar com meu sobrinho na barraca apache, correr atrás dos meus cachorros na maior folia, mandar emails para meus amigos dizendo que estou com saudades, andar descalça sobre a grama fria, assar pão para quem eu amo, preparar lanchinhos de viagem para quem se vai, prepar café fresquinho para quem chega, dar-me de presente tardes de cuidados no salão, bater perna com minhas irmãs e minha amiga Chrys, dançar forró, implicar com meu pai até ele me chamar de "cachorrinha", encher meus blogues de palavras ternurentas e desabafos, morrer de rir até a barriga doer com o Didi, ouvir Elvis, chorar com filmes piegas na televisão, cantar música sertaneja como se fosse meu último cântico de vida, ficar de cabeça pra baixo sem ajuda na ioga, andar de bicicleta curtindo a brisa da praia, ir ao zoológico em dias de tempo firme, olhar a chuva caíndo pela janela, ouvir minhas amigas contando tristezas e alegrias, arrumar motivos para celebrar, fazer brindes, beijar apaixonadamente, garimpar pessoas interessantes e que me façam calar, sentir, sentir, ouvir, ouvir, ver, reparar, viajar, viajar, viajar.....

Eu ainda vou "menos": preocupar-me com currículo, aguentar gente chata falando na minha cabeça, conviver por obrigação com pessoas arrogantes, fazer o que esperam que eu faça, fazer o que os outros desejam que eu faça, ouvir músicas que não gosto muito, ler livros que não me dizem nada, ir ao banco, não dizer o que penso por educação, não dizer o que penso por compaixão, fingir que gosto e disfarçar quando eu gosto, calar meus desejos, aborrecer-me com os correios, irritar-me com a Claro, chatear-me com o banco, pensar, pensar, pensar....

domingo, 13 de setembro de 2009

Nossa mãe é uma sereia

Blog novo no pedaço: Nossa mãe é uma sereia! Minhas duas irmãs e eu vamos ter um espaço para recuperar memórias da nossa infância e pricipalmente falar de nossa mãe. Quem viu o filme Minha mãe é uma sereia, deve lembrar que a protagonista interpretada pela Cher era mãe de duas meninas e possuía dotes culinários pouco comuns, tendendo para o inusitado. Ela preparava sanduíches em forma de estrela! Pois bem, nossa mãe é tal e qual! Os motivos pelos quais minha mãe desenvolveu esta performance culinarista deixo para contar outra hora, mas adianto que o que lhe faltava em experiência sobrava-lhe em criatividade. Vejam a imagem. Com este bolo nossa mãe venceu um concurso de bolos feitos pelas mães em nossa escola, na década de 70. As outras mães eram profissionais, sabiam tudo de cozinha! E nossa jovem mãe era amadora...não tinha intimidade com pão de ló, não era craque em bater claras em neve, não distinguia rúcula de escarola! Mas ninguém contou com a possiblidade criativa daquela criaturazinha de olhos grandes! Enquanto as outras mães empenharam-se em construir bolos de três andares, caprichando nos cremes coloridos, nossa mãe fez uma massa simples e recortou o bolo, fazendo este palhacinho lindo, com pirulitos como balão! Resultado, venceu o concurso! Então é isso, nesse blog contaremos essas histórias e vamos fazer as receitas da mamãe, com direito a fotos! Que saudades....Reparem na minha mãozinha no canto da foto!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Dias de trabalho...

Faculdade de Educação, campus UFMG, nada de chuva aqui....

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O herói torto



Para quem não acreditou na cena do anão...

Quem resiste a gargalhada?

Neste fim de semana estarão em São José dos Campos, imperdível!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Quero muito mais!



Quero muito muito mais!

Verão em dobro....

Dias lindos por aqui...E eu com aquela ânsia de viver um verão em dobro, por conta dos dois invernos seguidos e emendados...E nem é verão ainda!
Mas isso não impede que dentro de mim todos os canais de vida fiquem abertos, vida em abundância se anuncia...
Há uma sensação de azul que me enche de vontade e esperança....

terça-feira, 1 de setembro de 2009

A pior representação é imitar-se a si mesmo: tudo tão chato

Alguém aí já ficou cheio de si mesmo? Pois eu estou assim, nem eu mesma me aguento. Explico. Depois de muitos anos na estrada, descobri que eu não tenho feito nada de novo! Estou a imitar a mim mesma. Minhas idéias estão como um deserto, áridas. Conheço muito bambambam por aí que passa a vida inteira "replicando" o que outros fizeram ou o que um dia o próprio o fez, dia em que milagrosamente a criatura teve uma idéia bacana. Saber de antemão que uma determinada idéia traz sucesso faz com que as pessoas passem a utilizar recorrentemente o caminho dessa idéia. Caminho previsível e sem riscos. Mas comigo isso não funciona, pois idéias são a substância que me mantém pulsante. Por isso reconhecer que ando em tempo de "vacas magras" nas idéias é admitir que estou a sofrer de uma espécie de anorexia do pensar. Isso explica o desânimo geral. Acho que os últimos anos tiveram impacto de monocultura na pessoa que sou, esgotei-me como o solo tem esgotado os nutrientes depois de anos sucessivos de cultivo de uma planta só. Cultivei em mim as idéias dos outros, famosos e nã0-famosos, pessoas que eu devia ouvir e outras que eu devia calar, empanturrei-me de pensar alheio e não sobrou espaço em mim para mim mesma! Bom, essa é uma hipótese...Mas não sei dizer ao certo o que há. Só sei que sofro por ver meus dias irem-se sem idéias solavancarem meu ser...Por isso essa necessidade de desacontecer, esvaziar-me um pouco e sair por aí provando novos sabores, bebendo de novas fontes, experimentando novas máscaras de brincar...E quem sabe, um novo canto para sonhar, uma nova paixão para me fazer arder, um novo amor para me desassossegar, ou um gato novo (gato bicho mesmo) para me ensinar o caminho das desimportâncias...
Ai que texto chato!

Imagem da Ana Paula com a máscara que ela comprou em Veneza. Reparem na boquinha.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Amor, sol abstrato


Hora de retomar o blog. Quem esperava fogos de artifício e champagne, peço desculpas e prometo uma hora qualquer fazer um post com estas características, em outra ocasião. Para meu retorno, prefiro outra imagem.


Chego, abro o portão. Vejo que o mato cresceu nos canteiros e sinto um pouco de remorso pelo abandono. Abro a casa, forte vem o cheiro familiar que é uma combinação das essências de tudo que compõem minha vida. Uma a uma, vou abrindo as janelas. A luz sai envolvendo os móveis e os cantos das paredes de uma maneira desavergonhada. Parece que tudo foi subitamente desperto sem cerimônia. É preciso arejar a casa, as idéias, minha alma. As cortinas serprenteiam seus barrados, tão donas de si, dançam a música do vento, fazem gracejos para ninguém. Vou até a cozinha, coloco água no fogo para passar um café. Na janela minhas ervinhas reagiram ao abandono com alegria, crescendo desgovernadamente sem meus ataques estéticos de poda. O hortelã está tão verde que reveste-me de esperança. Abro a porta que dá para o quintal. Avisto a mangueira...Enquanto espero a água ferver, preparo o pó e sento-me a namorar com os olhos o quintal da minha casa...Tudo tão alegrinho. Ali não existe aquecimento global (se é que existe em algum lugar), está tudo em harmonia e a vida segue seu curso sem dramas. Morreu, morreu. Viveu,viveu. Nasceu, nasceu. Uma borboleta amarela visita meu pé de couve. Acho que namoram! No meu quintal também não há preconceito para o amor. Tem até uma formiga apaixonada por uma pedra! Lembrei-me de um trecho do livro de cartas de Caio Fernando Abreu:

“O bicho homem não faz outra coisa a não ser pensar no amor. Até as relações de produção, a luta de classes, a ecologia, o jogo pelo poder: tudo, questão de amor. Formas de amor. Amor é a palavra que inventamos para dar nome ao Sol abstrato em torno do qual giram nossos pequeninos egos ofuscados, entontecidos, ritmados. A vida toda”.

Sol abstrato...Duas coisas que defendo com a vida se precisar, a liberdade e o amor! Mas isso quem frequenta este blog já sabe....O amor que me faz abrir esta casa imaginária, como quem se prepara para receber quem ama...Que me faz partir, acreditando ir ao encontro. E que me faz regressar...De volta....

Imagem: Sintra, 2009